Opinião
UMA VIDA LONGA E FELIZ
?Em 1776, a vida média dos brasileiros era de 24 anos. Em 1896, passou para 48 e, em 1996, um século depois, para 70 anos?. Esses números e estatísticas foram revelados pelo médico Wagner Fiori, estudioso de doenças do envelhecimento. Segundo suas pesquisas, dentro de 50 anos a projeção de vida pulará para 100 anos. E volta à tona a pergunta: ?Viver um século é utopia ou realidade??. Como a expectativa de vida vem se expandindo de forma muito rápida, discussões vêm sendo travadas sobre os cuidados preventivos e curativos relacionados a essa nova idade, a terceira idade, no reposicionamento de conceitos e atitudes sobre esse novo tempo. Envelhecer com alegria, vencendo solidão, doenças, depressões e abandonos, é dádiva divina de inestimável valor. Quem reflete sobre a passagem do tempo prepara-se para a velhice, prevenindo-se e cuidando da saúde. Não se impressiona com a imagem no espelho, com as rugas e falências orgânicas. Queiramos ou não, somos peregrinos no tempo, que corre rápido, célere e fugidio. A contagem regressiva de nossos dias de vida se inicia no momento da concepção, ainda na vida intra-uterina, e daí em diante, vamos desfolhando frações do calendário da existência. Mesmo não tendo tido cuidados com a saúde na juventude e na maturidade, pode haver tempo para repensar essas atenções. Prevenção e cuidados com a saúde dos idosos são preocupações no século 21. Em primeiro plano, cuida-se para que as moléstias não se instalem. Se instaladas, que sejam combatidas tenazmente. Caso não recuperadas ? o que infelizmente ocorre ?, tenta-se que tenham evolução da forma mais lenta possível, aproveitando os avanços no campo da medicina e da bioquímica. É atribuída ao presidente francês Charles De Gaulle a seguinte frase: ?A velhice é uma tragédia?. Não há como negar; trata-se de evolução biológica inevitável; ninguém pode fugir dela. Entretanto, a maior aprendizagem que se pode ter consiste em tirar o máximo de proveito desse período, com experiência e sabedoria. Uma colega de trabalho, brincalhona, costumava dizer: ?Quando eu morrer, não quero deixar dinheiro no banco, quero ter aproveitado até o último centavo?. E acrescentava: ?Sou otimista, otimista mesmo, sempre espero o melhor, mas sou feliz porque sei lidar com o pior. A velhice tem-me oferecido grandes alegrias; é preciso saber viver?. Envelhecer com alegria, em condições razoavelmente saudáveis, com bom relacionamento familiar e social, é um lema de uma vida longa e feliz.