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Opinião

Uma enchente de irresponsabilidades

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Foi necessário que a reportagem do Fantástico abordasse o descaso para com a reconstrução dos imóveis destruídos pela cheia de 2010 para que os alagoanos relembrassem desse vergonhoso tema ? denunciado com veemência por matérias da Gazeta durante todo esse tempo. Como assinalou a revista digital da Rede Globo, depois da grande cheia que varreu áreas inteiras de 19 cidades alagoanas há quatro anos, o governo federal disponibilizou verbas para Alagoas reconstruir o que havia sido destruído. Quatro anos depois, a terra continua arrasada e o pouco que foi edificado é de qualidade duvidosa. Mais um escândalo ainda impune. O então presidente Lula chegou a visitar a área sinistrada e determinou empenho do governo federal para a liberação das verbas em caráter de urgência. Essa conta alcançou a cifra de R$ 1,2 bilhão, dividido em duas rubricas: R$ 540.684.000,00, destinados à reconstrução do patrimônio público (estradas, infraestrutura, prédios governamentais, escolas, hospitais, delegacias...) mais R$ 713.291.447,83, voltados especificamente para a construção de novas moradias para as famílias flageladas pela enchente. Fortunas, indubitavelmente. E essa enchente de dinheiro, foi para onde? Ou foi parar aonde? É certo que esse total adiposo não se transformou em casas e nem em outras realizações para as quais se destinaria. As obras se arrastam há quatro anos e parte da crítica por esse escândalo termina sendo erroneamente destinada às prefeituras, desviando-se do único responsável, o governo do Estado. Fazendo-se de desentendidas, as autoridades responsáveis pela reconstrução se transbordam em explicações fluidas, inconclusivas e erráticas, repetindo à exaustão o dito que ?neste ano tudo será concluído?. Enquanto isso, além das famílias ainda desabrigadas, aquelas que conseguiram o novo teto reclamam da qualidade do produto entregue. E como se não bastasse toda essa incúria, afloram as evidências de fraude e desvios de recursos nos serviços ordinários (como transporte escolar) que deveriam estar sendo prestados cotidianamente, conforme a própria reportagem do Fantástico também apurou. Quando esse escândalo será apurado? Depois da próxima cheia?

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