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� POSS�VEL HAVER CRIA��O SEM CRIADOR?

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Em meu primeiro dia dos pais, minha filha Julia me presenteou com o livro Um Universo Que Veio do Nada. É um livro ambicioso, que se propõe a responder à maior questão de todas: Como surgiu tudo o que existe? Seu subtítulo, ?porque há criação sem criador?, já entrega sua essência ateia. Sua primeira parte explica, com as mais atuais evidências, como surgiu o universo. É a melhor parte. Um apanhado de teorias e experimentos incríveis, levando a deduções maravilhosas. A conclusão dessa primeira parte é que nosso universo é dominado pelo nada, que preenche a maior parte do seu território e contém a maior parte da sua energia. O fato de o nada ter energia é a principal explicação da física moderna para a origem do Big Bang. É o que eles chamam de energia escura. Na segunda parte, o autor, L.M. Krauss, adentra pela física quântica para apontar por que as coisas não só podem surgir do nada como devem surgir do nada, num processo que seria inevitável. Quem quiser tirar suas próprias conclusões, melhor, mas para quem preferir, deixo meu veredicto. Me considero um avaliador imparcial, já que não sou nem religioso nem ateu. O argumento científico, aqui, não é convincente. Assim que virei a última página, pensei: ora, se o nosso universo surgiu espontaneamente do nada, e se isso é uma norma, por que não surgiram outros universos dentro do nosso? Afinal, como explica o próprio texto, ele tem 14 bilhões de anos e é preenchido principalmente por um monte de nada. No final das contas, a melhor resposta está mesmo no prefácio. Krauss afirma que já discutiu o tema com diversos filósofos e religiosos e que eles sempre insistem que o nada da física não é o nada verdadeiro. Concordo. Se ele tem energia e pode gerar coisas, então ele é alguma coisa, o que levaria à pergunta de quem criou esse nada, que diga-se, por sinal, de nada não tem nada. Obviamente, as explicações dogmáticas também não são nada convincentes, mas têm pelo menos o trunfo de não intencionar sê-lo. Já alguns céticos, como o biólogo Richard Dawkins, não se dão por vencidos nunca. Sobre o livro de Krauss, ele diz, no epílogo, veja só, que não entende a física quântica, mas que ela é o nocaute definitivo do pensamento religioso. Não acredito que a ciência vá conseguir, em qualquer momento, responder a perguntas como essa, e o motivo é simples, existe uma grande diferença entre entender e aceitar.

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