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Opinião

ALICER�ADOS NUMA CERTEZA – II

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Não seria o cristianismo, não seria a nossa fé católica mais uma possibilidade entre tantas, mais uma tentativa ilusória de explicar e enfrentar a existência? Não seria mais lógico, mais tolerante afirmar, como o fazem as religiões do Extremo Oriente, que o Mistério, o Divino não pode ser capturado, compreendido e, assim, toda religião é apenas um balbucio humano, tímido, provisório, imperfeito e incompleto sobre Este Mistério que é a saudade visceral do coração humano? Esta visão não seria mais madura, mais tolerante, mais de acordo com a multiculturalidade do mundo globalizado atual? Uma religião como o cristianismo não seria uma pretensão intolerante de se julgar ?dona da verdade?? A Igreja, o cristianismo, não nasceu de uma procura filosófica, de uma teoria religiosa humana, de uma especulação para matar a saudade do coração. Tudo começou com um fato bem concreto, histórico, desconcertante, envolvendo gente concreta, gente simples, de pouca filosofia, que mudou radicalmente a vida de alguns poucos e, depois, de tantos... Mudou a minha vida e, talvez, a sua também... Pedro e João dele falaram, bem no iniciozinho do nosso caminho de Igreja neste mundo; falaram diante do Sinédrio de Israel, eis o fato, eis o desconcerto: ?O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes suspendendo-O no madeiro. Deus, porém, O exaltou com a Sua Direita, fazendo-O Chefe e Salvador. Nós somos testemunhas destas coisas, nós e o Espírito Santo!? (At 5,30ss). Eis aqui o princípio de tudo: homens ignorantes, rudes, sem grande instrução religiosa nem posição social (cf. At 4,13) testemunharam corajosamente um fato, uma experiência objetiva que modificou para sempre a vida deles! Quando, na corrida da vida, o turbilhão de ideias e ideologias nos apoquentarem e ameaçarem nos desviar do essencial, recordemos a simplicidade do princípio, a concretude contundente das nossas origens: Jesus de Nazaré pregador e taumaturgo, crucificado e morto em Jerusalém, numa sexta-feira, 7 de abril do ano 30, fez-Se ver, deixou-Se encontrar, veio ao encontro dos Seus, ressuscitado com Poder pelo Deus de Israel, a Quem chamava de Pai! Ele mesmo, vivo, vitorioso, soberano, constituiu com autoridade, coragem e sabedoria os Doze primeiros, a ponto de todos eles viverem uma vida errante, despojada, anunciando feito loucos esta Notícia incrível, até derramarem o sangue para testemunhar o que viram, ouviram, tocaram! Cristão, tu não vieste de uma ideia, tua origem não se funda numa lenda: tu vens de Alguém concreto.

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