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Opinião

O OLHAR DE JOS� HENRIQUE

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Das tantas imagens publicadas sobre a tragédia que pôs fim à vida do presidenciável Eduardo Campos, nenhuma me tocou tão profundamente quanto à do seu filho José Henrique, na pureza dos seus oito anos, abraçado ao caixão que abrigava os despojos do pai. A tristeza e a solidão estampadas naqueles olhos infantis, tão precocemente alcançados pelo sofrimento e pela sensação de desamparo, fizeram-me desejar estar ali, ao seu lado, para protegê-lo como eu protejo o meu Luís, para dizer a ele com voz serena: você não está só. Eu queria ter estado perto do José Henrique para lhe falar de lembranças e de alegrias, dos momentos em que ele pôde estar agarrado às pernas do pai, escanchado nos seus ombros, enfiado no seu abraço. Das horas em que sorriram juntos, contando histórias da família, e daquelas em que fizeram planos para o futuro que, por uma dessas artimanhas do destino, foi interrompido cedo demais. Queria poder lembrar ao José Henrique que a sua mãe permanece ao seu lado, mulher valorosa e firme, na dignidade dos cabelos brancos que lhe confundem a pouca idade, e que os seus irmãos mais velhos, igualmente doloridos, não lhe deixarão faltar o apoio e a orientação. Não serão, a partir de agora, somente irmãos; serão também pais dele e do pequeno Miguel, a lhes indicar caminhos, a lhes apontar soluções, a lhes servir de colo e de bênção quando a vida estiver pesada demais. Serão todos os cinco, mais do que nunca, carne, sangue e alma de Eduardo Campos, reverberando os seus sentimentos, os seus sonhos, os seus ideais. O olhar de José Henrique no velório do pai, visivelmente sozinho em meio à multidão adulta, sofrendo a dor da orfandade prematura sem ao menos saber ainda o significado dessa palavra tão dura, fez-me novamente temer a morte enquanto o meu filho ainda for criança. Ao ver aquela fotografia estampada nos jornais, tive vontade de voltar logo para casa e apertar o Luís em meus braços, de repetir pela milésima vez o quanto eu o amo, de lhe cobrir de beijos e carinhos até ele repetir como sempre: ? Já tá bom, pai! Porque essas coisas chocantes têm o condão de nos alertar para o quanto é fugaz e frágil a nossa passagem, o quanto devemos viver o agora na dimensão plena dos momentos que, de verdade, fazem a vida valer a pena. Para que não soneguemos o afeto e o cuidado aos que nos são caros, para que os concretizemos em gestos e palavras. Naquele velório, diante do caixão lacrado de Eduardo Campos e do olhar perdido de José Henrique, tudo o que poderia ter sido desmoronou diante do imponderável.

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