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Opinião

Quando a seca n�o � coisa da natureza

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Ontem, 19 municípios situados entre o Agreste e o Sertão viram-se, de repente, sem água nas torneiras. A repentina seca se deveu a um problema ocorrido na estação elevatória encravada em Pão de Açúcar. Graças a esse contratempo, desapareceu a água nos canos dos municípios de Batalha, Belo Monte, Cacimbinhas, Carneiros, Dois Riachos, Jaramataia, Senador Rui Palmeira, Major Izidoro, Maravilha, Monteirópolis, Olho d?Água das Flores, Olivença, Ouro Branco, Palestina, Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema, São José da Tapera e Jacaré dos Homens (áreas das zonas rurais) e de Pão de Açúcar. Destaque-se que a seca-relâmpago alcançou áreas nas quais se situa a Bacia Leiteira, o que acrescenta ao incômodo o prejuízo para todo um ramo de atividade do qual dependem incontáveis famílias. Verdade é que, nalgumas áreas, a capacidade sofreu uma redução de 50%, mas isso não serve de consolo, pelo fato de metade da água, mesmo alcançando determinados perímetros, não só não satisfez a demanda como produziu ainda mais confusão e atropelos pela partilha do que pingava das torneiras aqui e ali. Destaque-se a competência e a dedicação profissional do corpo funcional da Casal. Seus técnicos lançaram-se ao trabalho, sem descanso, para consertar o defeito e devolver o funcionamento normal à rede de abastecimento. Mas, em verdade, o problema é maior que a capacidade técnica e a dedicação dos funcionários da empresa responsável pelo abastecimento d?água em Alagoas. Além da inadimplência crônica, enraizada nas mais diferentes áreas, a falta de investimentos castiga os serviços de água em todo o estado (sem falar na gravíssima carência em termos de redes de esgotos, especialmente nas áreas urbanas mais povoadas e nos pontos de maior fluxo turístico fora de Maceió). Essa indigência material, que frustra os projetos de ampliação e manutenção das redes, é o maior dos desafios nesse segmento vital para o desenvolvimento. Mesmo com o inegável advento do Canal do Sertão, inexistem os projetos e programas para o melhor uso da água em toda a extensão do ?rio? artificial que está cortando Alagoas desde o Sertão até o Agreste. Esta é a pior seca, provocada pela estiagem de investimentos.

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