Opinião
Meio ambiente e os meios para o desenvolvimento
Não fosse pelo clima de passionalismo exacerbado da disputa eleitoral, a fala da presidente Dilma Rousseff na Cúpula sobre o Clima, proferido em Nova York, na terça-feira, teria ocupado espaços mais generosos na mídia brasileira. Infelizmente, o comprometimento editorial dos principais veículos de repercussão nacional, centrados no eixo Rio/São Paulo, minimizou a extensão do discurso e aqui, e ali, alguns comentários mais parciais se esforçaram tremendamente para encontrar falhas e/ou contradições que pudessem ser exploradas em prol das candidaturas preferidas. Mas, descontada as paixões eleitorais, o discurso da presidente do Brasil foi centrado e impactante, apoiado em dados que apontam, dentre outros êxitos, para a redução do desmatamento em 79% ao longo de dez anos, para o aumento da produção agrícola sem expansão das áreas cultivadas, e pelo fato de, entre 2010 e 2013, ter deixado de lançar na atmosfera, em média, 650 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Igualmente é notável a coragem do Brasil em se recusar a assinar um documento com metas e políticas ambientas cujos termos não havia discutido antes. Como nada impede a adesão futura, no caso de concordância com o disposto no documento, a atitude da delegação brasileira (encabeçada pela presidente da República) foi corretíssima, embora tenha atraído o mau humor dos ambientaloides radicais e dos adeptos do ?assinar sem ler? para não ficar ?por fora? dos modismos de ocasião. Destaque-se que alguns dos pontos não aprofundados na discussão que antecedeu a assinatura da declaração conjunta dizem respeito a questões polêmicas relacionadas com o manejo sustentável e com as necessidades de desenvolvimentos dos países em processo de ampliação de sua base econômica. Por exemplo, o item ?desmatamento zero até 2030?, redigido de forma simplista, representa um entrave insustentável para países como o Brasil, posto nosso país (e poucos outros no resto do mundo) ter condições de realizar desmatamentos legais, disciplinados pelas leis em vigor e dentro de limites previamente estabelecidos por normas específicas. Nada mais correto e corajoso, mas criticado pelas oposições (inclusive as que se apoiam no agronegócio). O fato inegável, porém, é que ? mais uma vez ? o Brasil se posicionou corretamente em relação às grandes questões, indissociáveis, ambientais e do desenvolvimento.