Opinião
O MERCADO DE ARTE NO BRASIL
Um mercado que precede a outros negócios em toda a História, o de arte sempre representou um dos mais lucrativos. Especializado, de longo prazo e baixo risco é uma aposta no crescimento do artista, ou muitas vezes, em sua morte, quando a obra se valoriza. Isto, naturalmente, falando em torno dos mercados nacional ou internacional. A arte, assim como a moda possui seus ditames. Nem sempre o currículo internacional e a graça da crítica empurram-no para frente. Às vezes, é uma simples questão de empatia com o público. É, como tantos outros, a lei da oferta e procura que determina o preço no mercado. Não obstante, ter cotação já significa um parâmetro para valorizar o artista. A Bolsa de Arte, por exemplo, cota Reynaldo Fonseca, artista pernambucano figurativo convicto, com 17.300 dólares num óleo sobre tela de 100 x 73, enquanto Siron Franco 8.700 dólares em uma tela de 90 x 90, já João Câmara um óleo sobre tela de 110 x 160 chega aos 34.000 dólares. No entanto, vemos Beatriz Milhazes uma jovem artista, entre os demais, nascida em 1960 com uma tela em acrílica de 100 x 59 em tema abstrato ou um neofigurativo por 410.000 dólares. Se o leitor perguntar o que ela tem que os outros não têm, não saberia responder. Vem da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro e só em 1985 realizou sua primeira exposição. Embora tenha participado de diversas mostras no exterior e da Bienal de São Paulo em 1998, seu currículo ainda é modesto. O que se pode atribuir o seu sucesso? Talvez, sua identificação com o mundo contemporâneo, sua obra sincera, sua falta de pretensão ao permitir a verticalidade do seu trabalho e ausentar-se dos modismos, do plágio e principalmente das afetações ideológicas que têm sido levadas às bienais e não contribuem em nada com o mercado de arte. Esta é a grande diferença. Existem artistas que optam pelo claustro, como é o caso de Reynaldo para manter-se fiel a si mesmo. Existem artistas arrojados como Siron e João Câmara que cristalizaram sua obra e continuam fieis aos seus propósitos. Mas em suma, são todos História viva da Arte produzida no Brasil para o mundo hodierno. A comparação entre Milhazes e estes artistas se dá pela técnica, apresentação do trabalho e pela indiferença a arte efêmera, conceitual, as performances e outras formas de arte que vêm perambulando, desde o último quartel do século 20 e não chegam a lugar algum, como um apelo dramático em busca do inusitado.