Opinião
Novas pesquisas e as velhas batalhas
Aproximando-se rapidamente o momento no qual o eleitorado brasileiro, democraticamente, decidirá ? dentre todos os demais cargos em disputa ? quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos, são intensificados esforços hercúleos por forças poderosas nacionalmente para os derradeiros embates dessa batalha. A tradição da recente democracia brasileira indica que as disputas presidenciais são definidas no segundo turno, à exceção dos dois pleitos nos quais Fernando Henrique Cardoso, contando com o apoio unânime das elites tupiniquins, logrou vencer no primeiro escrutínio. Todos os demais pleitos para o Palácio do Planalto, de 1989 até 2010, foram necessários duas votações. Neste pleito, pelo menos até a última pesquisa eleitoral divulgada, a tendência tradicional pelo segundo turno estaria mantida, embora algumas dúvidas viessem a ser lançadas em consideração ao crescimento de Dilma Rousseff, o esmaecimento de Marina Silva e a baixa performance de Aécio Neves. O mais impressionante, sem dúvida, é a força, resistência e capacidade de reação de Dilma Rousseff. Ela se reergue e avança mesmo depois de um verdadeiro massacre orquestrado pela chamada ?mídia grande?, prolongado durante nada mais nada menos que dois anos (desde a eleição municipal de 2012) e intensificado com ferocidade extraordinária a partir de junho de 2013. Impressiona também a disposição dos barões da mídia com seus castelos enraizados no eixo Rio/São Paulo de transformarem seus veículos de comunicação em meros instrumentos de campanha contra a presidente e contra seus aliados, ao mesmo tempo no qual têm blindado seus nomes preferidos ? Marina e Aécio. Apesar de toda a pressão, os resultados se revelam pífios. Enquanto este comentário estava sendo escrito, a mais recente pesquisa, patrocinada pela CNT/MDA, divulgada ontem, apontava novo crescimento de Dilma, que alcançou 40,4% (subindo 4,4% em relação à enquete anterior); Marina perdeu 2,2% cravando 25,2%, enquanto Aécio ganhou o mesmo percentual (2,2%) passando a 19,8%. Ou seja, a única elevação efetiva, acima da margem de erro, foi a de Rousseff, enquanto Marina e Aécio se movimentaram dento dessa faixa errática. Outras pesquisas virão, novos percentuais serpentearão às vistas dos eleitores, a poucos dias da eleição ? quando saberemos, enfim, o resultado de todas essas manobras, pressões e manipulações.