Opinião
DOEN�A SEM NOME
Não faz muito tempo, assisti a um debate sobre desemprego de jovens. O conferencista fez desfilar fatores e razões que contribuem para essa terrível praga social. No final, fez um desabafo emocionado: ?Nossa geração está correndo o risco de deixar a seus filhos um mundo pior do que recebeu. Se isso acontecer, teremos falhado em nosso inevitável compromisso com o futuro. Não podemos deixar sobre os ombros de nossos jovens um entulho que produzimos e que não soubemos remover?. Decepção, perplexidade, incerteza fazem parte de um drama psicológico que acomete aqueles que egressos do Ensino Médio e das universidades, não encontram oportunidades no mercado de trabalho. Na expressão de um deles: ?procurar trabalho custa tempo, sola de sapato e autoestima?. Em geral, quando batem à porta de empresa para entregar o currículo, recebem a explicação: pode deixar se quiser, mas estamos em fase de desemprego, não de emprego. Dificilmente, encontra-se uma família que não tenha um de seus jovens prejudicados pela crise de desemprego. E essas famílias estão cumprindo seu papel. Lutam por uma boa educação, investem nisso tudo o que podem. Acreditam que a educação é a ferramenta que vai abrir de par em par as comportas do futuro. Muitos desses jovens, às vezes, com 22, 24 e 28 anos, continuam na residência de seus pais, no mesmo quarto que sempre ocuparam. Apesar de terem alcançado uma idade produtiva, dependem economicamente deles. Estão insatisfeitos com tudo isso, querem abrir seus próprios caminhos. Para os pais, é uma situação incômoda que resulta em duplo sentimento: de um lado, a alegria pela presença e companhia de seus ?garotos? e ?garotas? (para os pais, os filhos não cresceram); por outro lado, preocupação com o futuro deles, receio de que esse estado de coisas se perpetue. Incrível quebra-cabeça sentimental. Durante as campanhas políticas, entra em cena ? com destaque ? o tema Emprego de Jovens, com o pomposo slogan ?meu primeiro emprego?. Após o período eleitoral, desce um silêncio total sobre o assunto. Ajusta-se bem a essa situação o título de um filme muito popular: ?Esqueceram de mim?. Do prisma de valores humanos, desemprego em idade produtiva é profunda injustiça social. Justa e necessária será a mobilização de toda a sociedade civil a fim de encontrar soluções para esse problema, antes que se alastre essa ?doença sem nome?, que reúne sintomas de frustração e desesperança.