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Pela segunda, uma disputa de primeira

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Desde a primeira eleição presidencial pós-regime militar, realizada em 1989, não se via uma disputa tão acirrada pelo segundo lugar. Naquele histórico pleito, a luta pela segunda posição opôs Lula a Brizola, com o petista conquistando o direito de ir ao turno decisivo. A partir de então, o posto de segundo colocado não foi alvo de lide digna de nota. Lula consolidou o posto em duas batalhas contra FHC e arrebanhou a primeira colocação na quarta disputa, vencendo um José Serra que manteve o segundo posto desde o início da campanha de 2002, da mesma forma que Alckmin na eleição seguinte, cabendo a Serra, em 2010, novamente ser o dono do posto número 2 em toda a pendenga com Dilma Rousseff. Em todos esses pleitos, o segundão estava definido desde os instantes iniciais. Mas em 2014 o cenário mudou e a disputa pela segunda vaga no primeiro turno virou uma arenga de vulto. Como sabemos, essa questão ganhou vulto depois do trágico acidente que matou Eduardo Campos, em 13 de agosto. Das cinzas do desastre que ceifou a vida de um dos políticos mais promissores do Brasil, eclodiu uma Marina Silva competente em somar seus votos naturais aos possíveis de serem herdados de seu companheiro de chapa. A emoção falou mais alto e a ex-petista foi catapultada, num átimo, à condição de principal opositora dos petistas no poder. Aécio Neves, até então o preferido das ?elites? e da direita (nem tão acanhada assim), beijou a lona. Foi socorrido, abanado e abonado, returbinado. Levantou-se do pó, engalfinhou-se com a ex-ministra e retomou a competitividade. Divididas, perplexas frente ao incontornável dilema de em torno de qual nome concentrar-se-ia o desejado ?voto útil? contra Dilma Rousseff, as autoproclamadas elites tupiniquins vivem momentos de grande angústia ao comprovarem que os votos de Silva e Neves disputam-se no mesmo círculo incapaz de se ampliar, ao mesmo temo em que a presidenta, malgrado o intenso bombardeio midiático contrário, vai recuperando suas forças. Pelas pesquisas (em cascata), Marina resiste, mas em queda, enquanto Aécio avança lentamente. Os conservadores vão se reagrupando em torno de seu mimado predileto, mas a ex-agricultora não cede fácil a posição. Ao fim e ao cabo, apenas no domingo saberemos quem ganhará a segunda colocação.

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