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Opinião

PARA ELEUZA E KELSEN

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Eu, que sou homem de muito verbo, não sei o que falar para Eleuza Paulino e Kelsen Vasconcelos, diante da tragédia que caiu sobre as suas famílias e arrastou os seus três jovens filhos para o mistério da eternidade. Qualquer palavra nessa hora soaria como um sacrilégio, violando o silêncio que se impõe. O momento é de oração permanente, de escuta da mensagem de Deus no nosso coração. Sou amigo de ambos há quase trinta anos, desde meados da década de oitenta, quando participávamos do movimento de Treinamento de Liderança Cristã (TLC) da Arquidiocese de Maceió. Eleuza, pequenina e simples, sempre alegre, de bem com a vida e com todos; Kelsen, discreto e compenetrado, muitas vezes questionador, herdeiro do caráter e da inteligência do saudoso dr. Aderson Vasconcelos, um dos grandes nomes do Ministério Público de AL. Crescemos juntos na fé, solidificando à luz da igreja uma amizade que nem o tempo nem a distância foram capazes de enfraquecer. Assisti ao seu casamento e me entristeci com a sua separação, nesses descaminhos que não raro alcançam o amor. Vi-os refazerem as suas vidas, encontrados nas carreiras que abraçaram e igualmente dedicados, um e outro, à bela prole que fizeram frutificar: Amanda, Filipe e Maria Clara. Dou testemunho do quanto foram bons pais, provendo os meninos de tudo o que, nas limitações da nossa condição humana, lhes parecia suficiente para fazê-los crescer com felicidade e equilíbrio. Ninguém pode saber a dor que eles estão sentindo. A nenhum de nós é dado o direito de fazer qualquer julgamento, de proclamar qualquer ?achismo?, de lhes endereçar qualquer crítica. Já basta a horrenda divulgação das fotos dos corpos nas redes sociais, num indesculpável desrespeito para com a família enlutada. A cena do pai diante dos três caixões, acariciando sem cessar o rosto dos filhos brutalmente mortos, e da mãe em pé, tal como Maria junto à cruz de Jesus, era a verdadeira imagem do sofrimento tornado matéria, dois seres humanos destroçados por perderem o seu tesouro mais precioso, lançados num abismo insondável de solidão, de choque e de estupefação. Há episódios que, de tão absurdos, desafiam a nossa capacidade de compreensão. É como se fossem um pesadelo medonho, que a qualquer hora vai acabar, restituindo-nos a serenidade do ontem que não existe mais. Resta-nos somente dizer aos nossos queridos Eleuza e Kelsen que nós estamos em sintonia, orando por eles, rogando a Nossa Senhora que lhes dê amparo, consolo e fortaleza.

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