Opinião
A renova��o deve ser mudan�a real
Em termos nominais, a renovação foi grande no que se refere às bancadas alagoanas. Câmara Federal e Assembleia Legislativa contam, respectivamente, com 55,55% e 40,7% de nomes diferentes dos eleitos na eleição passada. Mas em termos políticos, a análise é distinta e mais complexa que o simplismo aparente da aritmética. Até porque ?renovação? é, em si, uma palavra usada de forma incorreta, como se todo câmbio, per si, fosse inexoravelmente um avanço. A vida mostra que não é bem assim, muitas vezes o que se apresenta como novo não passa de velharia (nem sempre sequer maquiada). O mais correto é vincular o conceito renovar ao conteúdo inovar, conferindo às mudanças um sentido de avanço real. Será que foi isso o que aconteceu em decorrência da inclusão de novos nomes na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa? O futuro, imediato, dirá. Mais precisamente a partir de 1º de janeiro, com a posse dos eleitos e a partir de suas atitudes concretas, Alagoas poderá checar o grau de novidade, e se é positiva ou negativa, decorrente da renovação de suas bancadas. Torcemos para que seja positiva. No caso da Assembleia Legislativa, espera-se o afastamento definitivo, seguro, da Casa Tavares Bastos do noticiário policial. Espera-se também que o paquidérmico duodécimo devorado pelo Legislativo seja reduzido e, além disso, aplicado de forma adequada, ou pelo menos, com alguma explicação lógica e ética, produzindo algum tipo de retorno à sociedade. Quanto à bancada na Câmara Federal, a expectativa é de uma maior unidade em torno de projetos efetivamente estratégicos para Alagoas, cerrando fileiras com a bancada alagoana no Senado, assegurando uma atuação uníssona frente às demandas principais do estado. Padecendo de alguns dos piores índices sociais do Brasil, Alagoas precisa efetivamente de uma renovação nas iniciativas políticas, seja nas casas legislativas, seja no Poder Executivo. Não se trata de eludir diferenças através de acordos de bastidores, mas do esforço indispensável da união de forças contrárias em benefício de um objetivo comum: a recuperação alagoana. Sair do fundo do poço é a bandeira de unificação entre todas as siglas, e essa inovação precisa ser materializada o quanto antes. Os resultados das urnas, neste ano, devem ser cobrados como um apelo popular para a transformação desta realidade adversa.