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Opinião

Vis�es distintas sobre uma mesma realidade

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Caso a diferença expressiva, na casa dos 10 pontos percentuais, entre a média das pesquisas e o resultado das urnas, tivesse beneficiado Dilma, o PT e/ou seus aliados, o noticiário estaria em chamas. Veja bem: aquela hebdomadária sensacionalista estaria com sua capa vociferante apontando para algo como ?um golpe na democracia? por parte do ?lulopetismo? e brandindo a discrepância entre o que apontaram as enquetes e o saído das cabines de votação. Nas redes sociais, os anônimos de sempre estariam espalhando a ?comprovação? de que o sistema eletrônico de coleta de votos é uma impostura, etcetera e tal... Mas, como a diferença entre as pesquisas e as urnas beneficiou o queridinho das ?elites? tupiniquins, o silêncio só não é absoluto porque alguns veículos deram espaço para explicações das entidades pesquisadores, replicando o óbvio ululante de que as enquetes revelam uma tendência, ?fotografam? um momento, e que o eleitor pode votar (até) de forma contraditória com o que declarara anteriormente. Faltou às explicativas dos institutos acrescentar outra variável capaz de alterar os resultados pesquisados: a brutal pressão das máquinas de campanha, e do efeito de milhões de reais, em ações de última hora. Apesar de estranho, e de ser suspeito por se tratar de um salto em prol de uma agremiação quase nunca investigada quando denunciada, o pulo tucano tem explicações verossímeis e indicativos dessa possibilidade. O episódio do pinote de Aécio Neves sobre Marina Silva, assim como a perda de alguns pontos em relação às expectativas de Dilma Rousseff, se explicam pela desesperada pressão das chamadas ?elites? e seus generais e cabos eleitorais, (aqui incluídas as chamadas ?mídias grandes? e uma enorme rede apócrifa de difamação na internet) desencadeada nas últimas semanas da campanha em benefício do candidato tucano. Note-se que os apoiadores da presidente não tiveram a mesma desenvoltura em todo o processo e pareceram se intimidar quando esboçaram alguma reação (contra Marina, por exemplo). Enfim, falta pouco mais de 15 dias para os defensores de Dilma reverterem essa política defensiva, tímida, acanhada. As tropas de Neves, pelo contrário, empolgadas, vão redobrar as pressões e baixarias.

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