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Riscos de uma nova pandemia global

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Um novo fantasma assombra a saúde pública no mundo: ebola. Antes restrito ao secularmente sofrido continente africano, atraía curiosidade e gerava alguma compaixão, mas os ?civilizados? pouco faziam além de lamentar a sorte dos africanos vitimados. Nas últimas semanas, esse distanciamento reduziu-se drasticamente, pois o mundo ocidental passou a perceber que a globalização também diz respeito aos vírus ? como, por sinal, tem sido desde os tempos imemoriais. Um dos primeiros grandes países ocidentais a detectar a presença do vírus letal em seu território foi os Estados Unidos. O primeiro óbito pelo ebola em solo americano foi registrado no Texas, nesta semana. Dezenas de pessoas que, de alguma forma, tiveram contato com a vítima estão em rigorosa quarentena. O Brasil também está em alerta com um primeiro caso suspeito, até agora não confirmado, no estado do Paraná, quando um homem chegou ao nosso país, vindo do Marrocos e que se procurou um posto de saúde apresentando sintomas que geraram o alerta contra a possibilidade de ser o ebola; o paciente foi isolado preventivamente e seu caso está sendo acompanhado. Como as possibilidades de contágio são bastante variadas e o vírus é muito pouco conhecido, justificam-se os temores e os cuidados. Afinal, os estudos indicam que o percentual de letalidade é muito grande, alcançando a impressionante cifra de morte para 50% dos infectados. Como na África Ocidental o vírus já contaminou, pelo menos, 7,5 mil pessoas, trata-se de uma realidade de enorme gravidade. Os cientistas e as autoridades ligadas à saúde pública na maioria dos países do mundo apressam o passo para a adoção de procedimentos preventivos eficientes ao mesmo tempo em que se empenham em combater os efeitos fatais causados pelo vírus. Novamente, o mundo corre contra o tempo para evitar a repetição de pandemias do tipo peste negra (idade média) e gripe espanhola (século 20), ambas responsáveis pela morte de milhões de pessoas num curto espaço de tempo. Nos dias em curso, graças aos notáveis avanços da ciência, existem maiores chances de sucesso nesse tipo de batalha pela saúde. Mas, da mesma forma, as facilidades de intercâmbio multiplicam os vetores de contágio, com a possibilidade real de qualquer tipo de vírus dar, literalmente, a volta ao mundo num tempo inimaginável em comparação aos tempos terríveis da peste negra e da gripe espanhola. A solidariedade, a informação precisa e a articulação entre governos são fundamentais para que o risco dessa nova pandemia seja debelado.

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