Opinião
Tempos de manipula��o pol�tica desbragada
Novamente, às vésperas das eleições, um factoide é trombeteado pela ?grande? mídia como o aberto objetivo de manipular a opinião pública. Desta vez, infelizmente, setores da própria Justiça parecem se integrar, sem pejo, ao processo de cabala do voto através de manobras indisfarçadas. A distribuição de uma gravação de áudio, apresentada como sendo de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras demitido por Dilma Rousseff, é peça escandalosamente montada para transformar o noticiário que deveria ser jornalístico em uma extensão do programa eleitoral do PSDB. Funcionário de carreira na estatal desde 1978, Paulo Roberto Costa foi promovido a diretor da Petrobras por indicação política de Fernando Henrique Cardoso, em 1995, ainda no primeiro mandato do tucano. Sob FHC, ocupou ainda a diretoria da Gaspetro entre 1997 e 2000. Costa foi uma das heranças tucanas que Luiz Inácio da Silva manteve durante seu governo, atendendo a pressões dos parlamentares ligados ao diretor. Dilma Rousseff demitiu o cidadão do posto de diretor da Petrobras em 2012. Agora, em óbvia aliança com quem o nomeou pela primeira vez, ele busca se vingar de quem desmantelou seu esquema. Protegido por uma canhestra prática do sistema de ?delação premiada?, que parece pouco se importar com provas e incapaz de distinguir o que seja calúnia de denúncia consubstanciada, o ex-diretor segue um script voltado para enredar a opinião pública através de ?depoimentos vazados? a uma imprensa muito interessada em auxiliar um determinado candidato. A manipulação fica evidente quando essa mesma ?grande? mídia silencia, e abafa, as investigações sobre a apreensão de meia tonelada de pasta de cocaína numa aeronave de políticos mineiros ligados a Aécio Neves; da mesma forma que ?esquece? a construção com verbas públicas de dois aeroportos vizinhos a duas fazendas de Aécio Neves... com a diferença que as questões explicitadas contra o ex-governador mineiro vão além de simples denúncias, sendo fatos conhecidos e comprovados, conforme o lavrado em inquéritos competentes e tornados invisíveis pela ?imprensa grande?. Resta à população, por conta própria, tentar distinguir o joio do trigo e se rebelar contra essas abjetas, e recorrentes, tentativas de direcionamento eleitoral.