Opinião
O PODER DO CARANGUEJO
O Brasil é mesmo um país que adora assistir a novelas para todos os gostos e desgostos. Estamos, pois, enfrentando os obstáculos diante de uma novela real, geradora de enormes prejuízos à nossa economia. Trata-se do reiterado anúncio da construção do Estaleiro de Coruripe que, aias, já sofreu alteração mesmo antes de ser aprovada a licença ambiental, porque transferiu-se o local escolhido e que propiciaria melhores condições de operacionalização, conforme opiniões de especialistas, lamentavelmente ignoradas. Tem-se informação de que a almejada autorização do Ibama havia sido liberada. Ocorre que, a esta altura, o grupo que assumiria o projeto, como se divulgou, não detém mais as condições integrais em termos financeiros para tocar com sucesso o tão almejado sonho da região e, sobretudo, de Alagoas, em face da geração de empregos diretos e indiretos. A princípio, como sempre vem acontecendo, justamente quando se pensa em obter benefício desse teor, surgiu a pronta reação de ambientalistas. O caranguejo, pelo visto, seria o grande entrave, dado que o mangue, onde habita esse crustáceo, estaria afetado. Diferentemente, em Pernambuco nada disso aconteceu. Veja, por exemplo, o Porto da Suape e outras obras vultosas, com aplicação de generosos e volumosos recursos. Áreas que igualmente estariam protegidas pelo Ibama, tanto ali como em outras regiões do País, não foram obstáculos! Aqui, Estado onde, parece, enterrou-se a caveira de um jumento, tudo encontra retrocesso e retardamento ou mesmo não atinge o objetivo colimado. Existe uma cultura e uma cantilena exasperante de que quanto pior melhor. É impressionante como se pensa alto no poder e se abandona ideias e concepções superiores! Mesmo os que detêm memória curta hão de concordar com este articulista, ao menos num item: logo após a posse do eleito, passada a fase preparatória eleitoral, já se divulga o próximo candidato ao cargo majoritário, cujo período se inicia! Não há, pois, aquele sentido patriótico e aquela renúncia. Se a maioria do eleitorado escolheu um nome, paciência e resignação. Que se respeite e que se lhe ofereça meios para cumprimento das promessas de campanha. Outro detalhe interessante: a Floresta Amazônica, rios e demais recursos naturais importantíssimos são impiedosamente explorados e, mesmo existindo um Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal (tem ilegal?), a ação dos predadores ainda não chegou ao conhecimento das autoridades constituídas, muito menos desse Ibama insensível.