Opinião
SABE NADA, INOCENTE...
Passadas as eleições para deputados, resta a nós, eleitores, a indagação: Concordamos com os resultados? A pergunta parece maluca, já que ninguém pode ser acusado de ter fraudado a nossa vontade, mas, no fundo e ao cabo, votamos iludidos outra vez. Dados recentes anunciam que dos 513 deputados federais eleitos para a Câmara dos Deputados em Brasília, apenas 35 (6,8%) receberam votos suficientes para se elegerem sozinhos. Os demais alcançaram o mandato com a soma dos votos dados à legenda ou de outros candidatos de seus partidos ou coligações. Quer dizer, então, que a vontade do eleitor brasileiro em eleger esse ou aquele candidato só foi respeitada em meros 35 casos? Pois é! O chamado voto proporcional funciona assim e o eleitor não entende por que um candidato bem votado não consegue a vaga, enquanto outro que tenha recebido menos votos acaba eleito. Acontece que nas eleições para deputados estaduais, federais e vereadores as vagas são distribuídas de acordo com a votação recebida por cada partido ou coligação de partidos, e quando você escolhe o candidato para esses cargos, você, sem saber, está, antes de mais nada, votando em um partido e o resultado depende do quociente eleitoral e partidário (vixe!). É por isso que o número do partido vem antes do número do candidato e é por isso que vemos tantos partidos unidos numa mesma eleição. Acontece que a maioria esmagadora dos eleitores não vota pensando nos partidos, vota no candidato que quer eleger. Ok, pode ser a regra do jogo e temos o dever de conhecê-la, mas acontece que no mundo real a maioria não faz a menor ideia de que aconteça assim! O que fazer? Entendo que a melhor maneira de acabar com isso está no voto distrital. Nesse tipo de votação, o Estado é dividido em vários distritos e cada distrito elege um deputado por maioria simples (50% dos votos mais um). Assim, o candidato mais votado é eleito. Exemplo? Eu e alguns outros nos candidatamos pelo distrito do litoral, que engloba a capital e as cidades litorâneas do Estado. Eleito, vou ter de responder diretamente a esses eleitores, assim como os eleitos pelo distrito do Sertão prestarão conta aos sertanejos que os elegeram. Simples e fácil não é? Nem tanto! O Congresso brasileiro discute a questão já se vai um tempão e continuamos elegendo candidatos que nem sabíamos serem candidatos ou até aqueles que não desejávamos fossem eleitos. Como diz aquele sábio: ?Sabe nada, inocente...?.