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Opinião

As pesquisas como armas de campanha

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Apesar de sempre jogarem papel como influenciadoras da opinião pública, as pesquisas passaram a ser usadas, de forma muito mais direta, como material de propaganda, nessas eleições. O fato é que, nas imediações da votação, o insistente alardear da sucessão de pesquisas, apontando a debacle da candidata do PSB e a ascensão do candidato do PSDB, causou efeito díspar nos segundo e terceiro mais cotados: os ?marineiros? definharam simultaneamente à empolgação dos ?aecistas?. E o jogo foi virado. Vampirizada sem maiores reações, Marina foi literalmente sugada pelo tucano nos momentos finais da disputa. A virada porém, ultrapassou ? em muito ? ao projetado pelas entidades pesquisadoras, gerando suspeitas. Na verdade, tudo indica que a intenção de voto nem mesmo tenha dado um salto inesperado de última hora. Apenas teria acontecido um descompasso entre a ânsia de quem usou e abusou das pesquisas como material de campanha, e a realidade que deveria ser pesquisada com mais acuidade. A maioria dos analistas, talvez mais interessados em turbinar uma candidatura em detrimento de outra, ?comeram mosca? ? como se diz. Mas gostaram do que engoliram. Daí os momentos seguintes ao resultado de 5 de outubro terem sido bombardeados com novas e saltitantes pesquisas, todas abertamente direcionadas para não só manter viva a ?onda? aecista, mas em multiplicar sua força. Como se fosse boi de piranha, foi primeiro lançado na mídia o resultado assinado por um desconhecido instituto, apontando uma repentina diferença pró-tucano de 9 pontos. Passado o impacto sem reação digna de nota, grifes mais conhecidas, em uníssono, ?confirmaram? a pretendida inversão no posicionamento entre as duas candidaturas finalistas. Na mesma toada, antes mesmo que fosse completada uma semana das eleições, no sábado, dia 11, espalhou-se rapidamente pelas redes sociais mais uma enquete aecista, desta vez apontado para uma diferença de 17 pontos contra a petista. Tamanha foi a euforia nas hostes tucanas que essas aves saíram em revoada pelas principais cidades brasileiras, antecipando, em carreatas e atos do tipo, a pretendida vitória. Indubitavelmente, a tática tem sua lógica, apostando que o eleitor, numa crise de oportunismo, venha a aderir em massa a quem identifique como vencedor antecipado. Mas pode redundar no efeito contrário ? por overdose.

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