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Opinião

MADRINHA EURIDES

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Minha amada madrinha, Eurides de Morais Oliveira, completou 85 anos. Alcançou a idade provecta sem tornar-se velha, mantendo o vigor e a energia de sempre, a coluna ereta e os passos firmes, andando pra cima e pra baixo em Murici no exercício do seu mandato popular de vereadora, missão que vem cumprindo ininterruptamente desde que foi eleita pela primeira vez, no já longínquo 1982. É um verdadeiro anjo protetor para os muricienses mais carentes, conseguindo-lhes internamento na capital, assegurando-lhes a aposentadoria, fornecendo-lhes remédios, roupas e alimentos. Faz o bem na surdina, discretamente, como convém a um verdadeiro cristão, convicta de que no pobre está a personificação do próprio Deus criador. Solteira e sem filhos, fez-se mãe de muitos sobrinhos e afilhados, coração escancarado para o acolhimento e a dedicação. Deu-lhes educação, carinho e atenção, abrigando-os debaixo do seu teto; deu-lhes principalmente amor, fazendo-os experimentarem da grandeza de sua alma generosa. Nunca fez o mal a quem quer que fosse, jamais retribuiu com a mesma moeda àqueles que não souberam ser gratos pelas dádivas dela recebidas. Mulher de fibra e de valor, honra com a própria vida a herança de decência que recebeu do velho major Durval Oliveira, seu pai, morto aos 101 anos em plena lucidez. As portas da sua casa nunca estiveram trancadas, a sua mesa farta sempre esteve posta para saciar a fome dos que dela se acercavam, fossem ou não seus eleitores. Assim tem sido a trajetória de madrinha Eurides, um labor incessante em prol dos outros, pensando sempre mais neles do que em si própria, desprovida de vaidades e afetações. Uma vida simples, que encontra a felicidade nas coisas mais corriqueiras. Desde quando tomou-me em seus braços, na pia batismal da igreja matriz de Nossa Senhora da Graça, madrinha Eurides tornou-se para mim uma segunda mãe. Nunca deixei de contar com a sua presença, com o seu carinho e, principalmente, com as suas orações, que me revigoram na árdua caminhada do dia a dia. Afilhada dileta da minha avó Izarele, a sua chegada em nossa casa era motivo de muita alegria e satisfação. Passados já tantos anos, a sua presença continua sendo o vínculo mais forte que guardo com a minha terra natal, a lembrança bem nítida dos bons momentos que não voltam mais. Peço a Deus que me dê vida e saúde para participar, daqui a alguns anos, da festa do seu centenário ? porque ela, seguramente, chegará lá, firme e forte como agora festejou a sua idade nova.

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