Opinião
De investiga��es s�rias e manobras eleitoreiras
Digno de nota é o empenho da ?grande? mídia e de parte da Justiça quando a denúncia de algum malfeito tem como alvo o PT ou alguma outra sigla, ou personalidade, aliada. É um frenesi! Porém, tal azáfama não acontece quando algum tucano de bico proeminente é pilhado em voo suspeito. Verdade é que, vez ou outra, alguma falcatrua ? como as ocorridas no metrô paulista sob a gestão PSDB ? vem à tona, mas logo é mergulhada sob o mais estrondoso silêncio e o olvido toma conta do caso. Isto não é novidade, é fato. Mas o fato é que nesta campanha em curso, aparentemente com a participação de segmentos de integrantes da Justiça, foi dado seguimento a parte de um inquérito com objetivos claramente eleitoreiros. Trata-se de parte dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Como alardeado pelo noticiário, trechos de suas falas em juízo foram gravados, editados, e amplamente divulgados como material de campanha. Acolhido pelo instituto da ?delação premiada?, o indiciado, obviamente, curte o maior ressentimento contra quem o demitiu, sendo esperado que procure se vingar das pessoas que o impediram de seguir adiante em suas operações. Esta questão central, que precisa ser levada em conta, aparentemente não só está sendo desconsiderada por quem, por dever de ofício, está incumbido de zelar pelo bom andamento da investigação, como a edição e divulgação de trechos (selecionados e descontextualizados) de seus depoimentos revela o interesse em auferir resultados na eleição presidencial e não na apuração em curso. Infelizmente, este tipo de atitude compromete a indispensável lisura do processo. Os depoimentos de Paulo Roberto Costa, nomeado como diretor da Petrobras ainda no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso, e demitido na gestão Dilma Rousseff, precisam ser checados com toda responsabilidade. Provas precisam ser colhidas e confirmadas, pois é evidente o risco de calúnias assestadas contra quem o demitiu. A pressa em alardear partes dos depoimentos desse cidadão é uma atitude intempestiva. Nociva ao inquérito em particular e à cidadania em geral, pois nenhuma investigação séria pode ser transformada em uma algaravia tucana ou de quaisquer outras aves palradoras.