Opinião
Ocaso de uma estrela cadente?
Parodiando o dito popular, em relação ao atual estágio da guerra eleitoral presidencial deste ano: ?Entre mortos e feridos, não se salvou o PSB?. O que era uma promessa de renovação partidária nacional não conseguiu sobreviver à morte prematura de seu derradeiro líder, Eduardo Campos. Nos momentos seguintes ao terrível acidente, o PSB não só se unificou como ampliou, por várias semanas, seu prestígio em torno da candidatura de Marina Silva. Um sentimento de perda e de solidariedade, gerado e amparado na morte do líder pernambucano, produziu a efêmera ascensão da sigla à invejável segunda posição na corrida presidencial, desbancando o bem nutrido PSDB. Porém, na reta final, a comoção pela morte do neto de Arraes esvaneceu-se frente ao poder econômico da candidatura do neto de Tancredo. E Marina, neta de humildes nordestinos e nortistas, soçobrou, regressando ao mesmo patamar de votos que havia conquistado quatro anos atrás. Em 2010, recebeu 19,33% dos votos e em 2014 cravou 21,32% dos sufrágios. Voltou à estaca zero. Para o segundo turno, sua posição passou a ser o centro das atenções, pois mesmo sem ter crescido em relação à eleição passada, consolidava-se como a terceira liderança mais expressiva no cenário brasileiro e esperava-se que sua posição, suposto fiel da balança, viesse a ser bem utilizada por ela, como há quatro anos, quando optou por preservar seu prestígio sem declarar apoio a nenhuma das duas candidaturas que foram ao segundo turno. Neste ano, porém, Marina decidiu arriscar uma mudança de atitude e avisou que estudaria apoiar Aécio Neves ou votar em branco ou nulo, já que, de antemão, anunciou seu desapreço à ex-companheira de militância, Dilma Rousseff. Até aí tudo bem. O segundo lance no jogo foi declarar que votaria em Neves se este se comprometesse com uma lista de pontos programáticos, incorporando ao programa tucano itens considerados fundamentais por ela e seus colegas de PSB & Rede. Ponto para a moça. Mas Neves, arrogante, lhe foi curto e grosso na resposta, declarando via imprensa que não mexeria na ?espinha? de seu ?programa?. Ou seja, nem vem que não tem. Aí, Marina se pintou de acordo com o gosto do patrão; baixou a cabeça, jogou a lista no lixo e atirou-se no colo do tucano. Reduziu-se a mera cabo eleitoral, rachando o PSB e rasgando a própria Rede, comprometendo o futuro de seu nome enquanto liderança nacional.