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Inflacionando o �ndice de mentiras

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Indubitavelmente, o candidato tucano tem abusado do ? digamos ? poder de fantasiar situações e números. No primeiro debate, para o segundo turno, foi impressionante a capacidade dele em moldar a realidade a seu bel-prazer e, de quebra, acusar a adversária de ser ?leviana? toda vez que uma falha lhe era apontada (o que, naturalmente se repetiu a cada pergunta). Uma das inverdades ululantes repetidas à exaustão pelo tucano é a de que ?FHC recebeu a Presidência da República com uma inflação de 900 e a reduziu para 12%?. Mentira. Verdade é que FHC, enquanto ministro, contribuiu e foi o porta-voz do presidente Itamar durante a primeira fase do Plano Real. Mas a derrocada da inflação e a definição do Real como moeda se deu durante a gestão Rubens Ricúpero, complementada por Ciro Gomes, no Ministério da Fazenda. Quando Fernando Henrique Cardoso recebeu a faixa presidencial no dia 1º de janeiro de 1995, o índice inflacionário (consolidado, com viés de queda) era de 1,7%. Oito anos depois o tucano havia conseguido quase decuplicar essa taxa, passando o bastão para Luiz Inácio da Silva, em 1º de janeiro de 2003, com uma inflação de 12,5%. O Plano Real começou a ser elaborado, reservadamente, ainda no final de 1992 e, em maio de 1993, apostando em fazer Fernando Henrique seu sucessor, Itamar Franco o deslocou do Ministério das Relações Exteriores para o Ministério da Fazenda, ao mesmo tempo em que oficializava a equipe que havia elaborado o projeto: Pérsio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bacha, Clóvis Carvalho e Winston Fritsch. Os primeiros sucessos desse grupo (ainda com a URV) foi a base de marketing pré-eleitoral de maio de 1993 até março de 1994, quando FHC deixa o posto para assumir a candidatura a presidente. Naquele ponto, a inflação era de 42,8% (no mês!), patamar que se repetia desde janeiro e que se mantém nessa deplorável situação até junho, quando, finalmente, o novo ministro, Rubens Ricúpero, redefine e implanta as mudanças que levaram a consolidação da nova moeda (Real). A partir daí, sim, a inflação finalmente desaba, baixando a 6,8% em julho e seguindo em queda livre até 1,7% no final de dezembro. Sob a dupla presidência de FHC o índice inflacionário retoma força, crescendo 735,2% em oito anos. Estes são os fatos, é história. O resto é ?estória? como se escrevia antigamente.

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