Opinião
Pelo direito e pelo dever de responder
Um frisson eletrizou a turba tucana: ousaram rebater, à altura, as agressões de Aécio Neves! Desde que, aos 17 anos, em 1977, assumiu a primeira sinecura, dada por papai deputado (Aécio Cunha), sempre foi premiado com cargos bem remunerados e de trabalho simbólico. Aos 25 anos, em 1985, ganhou do recém-empossado presidente José Sarney e do tio Francisco Dorneles (ministro da Fazenda) uma diretoria da Caixa Econômica Federal. É o que se poderia chamar de vida fácil. Sem ninguém que ousasse o criticar. Eleito governador de Minas Gerais, o silêncio obsequioso tornou-se um mantra de surdos-mudos. Quem se atrevesse a quebrar o uníssono de elogios era perseguido, quando não sumariamente afastado das redações e quem resistisse, processado seria. Esse sentimento de pairar acima dos mortais, podendo acusar sem ser redarguido, enraizou não apenas no indivíduo, mas espalhou-se pela entourage e, em temos de campanha, contaminou a fina flor da ?elite? engajada. Não poderia ser diferente a reação a uma crítica direta e dura, proferida cara a cara. E sendo uma sequência de admoestações, aí a coisa vira crime de lesa-majestade! Essa rejeição à contestação já havia se manifestado antes, mas as primeiras reações foram de perplexidade ? como na ocasião na qual a candidata do PSOL, Luciana Genro, mandou-o baixar o dedo que, em riste, usava para tentar a intimidar. Surpreso, o príncipe recolheu o indicador. No primeiro debate para o segundo turno também demonstrou surpresa com o atrevimento de Dilma Rousseff em expor dados negativos sobre suas atitudes políticas e contestar os índices cor-de-rosa de sua propaganda. Mas reagiu. Sem argumentos, simplesmente passou a insultá-la. No segundo debate a presidente devolveu os adjetivos e, pecado dos pecados, lembrou do caso do flagra dirigindo embriagado e a negativa ao teste do bafômetro. E mais, repetiu as acusações de nepotismo e outras mais. Foi o bastante. A ?elite? e seus áulicos subiram nas tamancas, espalhando ódio e preconceito na própria torcida organizada (insultando Dilma) e derramando fel nas redes sociais. Um desespero furibundo, autoritarismo e arrogância explodiram contra ?essa? mulher do povo, sem o pedigree dos Neves Cunha, que se atreveu a responder ao aristocrata. Infelizmente, uma reação que apenas estimula a mútua agressividade, pois responder à altura não é só um direito, mas em termos de disputa política, um dever.