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Opinião

Ontem, hoje e amanh�

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O que esperar do futuro? Não me lembro se há cinquenta anos essa pergunta me ocorreu. Sinto que o presente é passado e o futuro já é presente. Sei que durante as cinco décadas que se seguiram assisti a extraordinárias mudanças na cidade e no meio social. Era uma Maceió menos agitada, poucos automóveis. Muita gente se sentava na calçada à noite, para um bate-papo descontraído. Saía-se de casa para ir a Rua do Comércio e se encontrava uma porção de gente conhecida. Naquela época o ?point? era o Ponto Central. Havia o bar e restaurante Helvética, o Cinearte com suas elegantes sessões de domingo, o banho da Avenida da Paz e, para quem queria ir mais longe, o Gogó da Ema, um coqueiro torto que virou atração internacional. As expectativas de vida eram diferentes das de hoje. Não tínhamos televisão e computadores. De lá para cá, foram acentuadas as transformações urbanísticas e profundas as mudanças nos hábitos, costumes, na maneira de ver e gostar das coisas. Não tenho bola de cristal que me permita ver os acontecimentos futuros, mas creio que muito ainda virá. Tecnologia avançada e arrojada farão dias diferentes, de assustadora complexidade, e de gigantesco avanço científico. Jamais poderia imaginar que o homem pisaria a lua, ou que as vacinas mudariam os rumos da medicina e trariam de volta à vida pessoas já sem nenhuma esperança. Clonagem? Genoma humano? Foram tantas as modificações que até parece que todos os séculos se concentraram nestes últimos cinco decênios. Nessa época pouco se falava em desemprego, muito menos ainda em globalização, mercado de capitais, dólar nas alturas, e inflação. Com isso, não se quer dizer que tudo fossem flores, um reino encantado, sem fome, miséria ou violência. As dificuldades sempre existiram, mas as coisas eram bem mais fáceis que as de hoje. Ainda há milhões que não usufruem os benefícios da civilização, em flagrantes injustiças sociais. Parece que o tempo passou tão rapidamente que é difícil lembrar o que ocorreu ano após ano, a não ser que se tenha um registro dos assuntos. Atualmente, em nossa cidade, pode-se subir num elevador panorâmico e vislumbrar edifícios e avenidas asfaltadas. Quem vive fora de Maceió melhor observa essas mudanças. A hospitalidade e o calor humano são tipicamente alagoanos, dificilmente se encontra em países europeus. Moramos em uma outra cidade, mais moderna, mais dinâmica, mais viva.

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