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Macei� em quadrinhos

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EDUARDO BOMFIM * Todos possuem suas raízes. E elas constituem a nossa identidade fundamental. Daí que cada um tem os pés em algum pedaço de chão. Somos andarilhos e, assim, conhecemos cidades, regiões, Estados e, algumas vezes, até países. Visitamos maravilhas ou misérias, mundos mais adiantados ou atrasados. Alguns possuem a sorte de observar in loco nações que passaram por transformações revolucionárias ou experiências que dignificam a humanidade. No entanto, nada substitui o pedaço da terra em que nascemos e onde nos forjamos como pessoas. Nossas memórias, além de toda uma herança cultural. Eu penso que esta coisa é tão abrangente que inclui o olfato, o tato, as reminiscências da infância, a memória repassada escrita ou oral, a visão da natureza e a arquitetura de um espaço. Gilberto Freyre proclamava-se um ser contraditório, afirmando que gostava de andar pelo mundo, mas sentia, nesses momentos, uma imensa saudade dos seus velhos chinelos, surrados mesmo, feitos do couro de algum animal. Como era um mestre ou um gênio, ou as duas coisas juntas, conseguia em palavras simples expressar o óbvio. De tal forma que para outros seriam necessários volumosos, herméticos e às vezes, maçantes compêndios acadêmicos. Não é à toa que um dos suplícios dos regimes autoritários configura-se no desterro, no exílio. Não se trata apenas de se livrar de um adversário incômodo, mas infringir ao próprio o castigo da distância do seu povo, clima, paisagens, língua, etc. Muitos não suportam e morrem de tristeza infinita. Outros preferem a prisão e a ameaça de torturas e retornam ao seu torrão. Nelson Rodrigues, em suas cáusticas crônicas, afirmou que quando chegava em Madureira começava a sentir uma saudade horrível do Rio de Janeiro, o que não deixava de ser um implicância do escritor com o bairro carioca. A verdade é que muitos não possuem o privilégio de entender, em seu conjunto, o significado deste sentimento. Pela ausência do conhecimento do passado, conflitos, origens e desenvolvimento do itinerário de sua comunidade. Seja ela uma cidade, Estado ou uma nação. Não é lá bem do interesse das elites dominantes. Porque isto significaria que o cidadão passaria a compreender a desarmonia existente naquilo que aparentemente mostra-se ordenado, estabelecido. Quando três figuras como Douglas Aprattto, Enio Lins e Leda Maria resolvem produzir a história de Maceió em quadrinhos provocam a democratização desta. Os quadrinhos são extremamente atrativos e acessíveis à grande maioria da população, seja porque grande parte dela foi destituída da possibilidade do acesso aos livros, por razões econômicas ou de intimidade com os livros, seja em função da tradição da leitura do gibi. Bem-humorada, densa em informação, é uma contribuição que tende a ser popularizada. E dela pode surgir uma variedade de possibilidades sobre os mais diversos assuntos. Os três são semeadores nos campos da educação em massa. (q) É ADVOGADO

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