Opinião
Sombras
Sob o signo das mudanças, cerca de 53 milhões de eleitores consagraram nas urnas Luiz Inácio Lula da Silva como o novo presidente do Brasil. Embora ainda seja cedo para se emitir um juízo crítico sobre como se dará o futuro governo, pelo que tem sido dito pelo núcleo de poder formado pelo círculo próximo ao presidente eleito, as mudanças serão mais cosméticas do que reais. Para quem tinha dúvidas, a escolha do ministério demonstrou que o próximo governo será do Partido dos Trabalhadores. Aos tradicionais aliados, aos aliados do segundo turno, o espaço concedido no futuro governo foi o de coadjuvantes. As principais pastas, as decisórias, não foram partilhadas com mais nenhuma outra força política. A sinalização até o momento para a sociedade é de que a situação do País é grave. O relatório da equipe de transição apontou graves problemas nos setores da aviação e elétrico, nas rodovias, na previdência e na agricultura (pela possibilidade de desabastecimento de arroz e milho). O presidente eleito, ao tomar conhecimento do relatório da equipe de transição, manifestou surpresa e declarou que a situação é pior do que ele imaginava. Não deve então ter levado em consideração as palavras de FHC, há poucos dias, quando este declarou que ele (Lula) não sabia o tamanho do problema. Para enfrentar a grave crise, o futuro ministro da Fazenda Antonio Palocci declarou que não podem haver medidas traumáticas ou mesmo diferentes das atuais no plano econômico. A crise será enfrentada com honestidade no trato do dinheiro público e com competência na gerência dos recursos. Segundo ele, o futuro governo irá adotar uma política econômica ?sem traumas, sem surpresas, mas com muito trabalho?. E acrescenta, nós iremos ?fazer com que o gasto público com programas sociais seja melhor aproveitado para que tenha mais resultados em relação às pessoas que são atendidas?. Sem entrar no mérito do porque da ênfase que o futuro ministro da Fazenda atribui a continuidade da política econômica adotada por FHC, existe uma contradição que terá de ser superada de uma forma ou de outra pelo futuro governo do PT: se a situação econômica é tão ruim, como alardeiam os principais líderes do partido, por que continuar com a mesma política econômica que levou o País a esta situação? Será que o medo vai vencer a esperança? O futuro dirá.