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O BRASIL DO MILL�R E DA ESPERAN�A

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Em seu primeiro artigo para o número inicial do Pasquim, Millôr Fernandes discorreu à sua maneira sarcástica da promessa feita por Jaguar e companhia que aquele hebdomadário seria independente.Ali, narrava a sua longa experiência com jornais, revistas, teatro, televisão,cinema, dos quais foi afastado, fosse pela falência ? em grande parte forçada por concorrentes mais poderosos ? fosse pela censura;aberta, ou disfarçada, como foi o caso de O Cruzeiro,em 1963,onde foi expulso depois de 25 anos por motivos ?religiosos?. Ao final, Millôr, sugeria ao Jaguar que fosse pra Banda de Ipanema, pois o Pasquim iria enfrentar o establishment em geral, e se fosse independente não duraria três meses e se durasse três meses não seria independente.Encerrava com ?Longa vida ao Pasquim!?e, felizmente,nisso, acertou, ele circulou anos muitos. Ao chegarmos às vésperas de uma eleição cuja campanha eleitoral mostrou o que é o Brasil atual, refleti sobre o artigo que faria nesse momento e ao invés de recorrer a alguns filósofos referenciais no tema política e democracia ? Aristóteles, Cícero,Platão,Sócrates, Bacon e Tocqueville ? refleti e preferi o Millôr; até porque ele conhecia o Brasil melhor do que qualquer um desses caras . Sobre o Brasil, o País do Faturo, afirmava ?É evidente que Deus, o supremo-arquiteto, projetou o Brasil como uma sala de estar. Mas os proprietários preferiram usá-lo como depósito de lixo?; escreveu também ?Responda depressa: Por que o Brasil tem que ser sempre assim? Qual a justificativa para tanta ?assimneza??. Mas em alguns momentos e a seu modo, era otimista ?Aqui é o Pais onde há maior possibilidade de se criar um mundo inteiramente novo, caos não falta?e também sentenciava ? Brasil,condenado a esperança?.Foi a esperança de um País melhor e mais ético o que motivou os imensos protestos de rua em junho de 2013, e os que vão votar imbuídos dos mesmos propósitos, não desanimem se não elegerem seu candidato. Se o eleito não preencher aquilo que os protestos clamavam, terá substancial e vigilante oposição, a qual, agregada à liberdade de expressão e informação, formam os pilares fundamentais na democracia, por mais frustrante que ela seja em vários momentos .Afinal, as multidões que flamejaram as ruas em junho de 2013, estão vivas e qualquer fagulha poderá reascendê-las.

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