Opinião
T�BUAS DE SALVA��O
?Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós?. Esses versos do nosso Hino à Proclamação da República, de Medeiros de Albuquerque, sempre me remetem a um voo solitário sobre as desigualdades do nosso país e ao sonho tão antigo do sentimento de liberdade, pelo qual tantos brasileiros derramaram seu sangue. Fato inegável que longe da escravidão e da monarquia de outrora, parecemos homens livres e iguais em direitos e deveres sociais, donos do nosso destino. Mas será mesmo verdade? Vivemos em uma sociedade democrática capitalista que, por si só, tem como condição de existência as diferenças de oportunidade, uma vez estratificada entre os donos do capital e aqueles que oferecem sua força de trabalho para sobreviverem. Nesse contexto, entram as políticas públicas com o papel de amenizar e tentar consertar, as diferenças tão gritantes. A Educação surge então como proposta do governo para ser a grande porta que nos levará ao caminho da igualdade de direitos e da liberdade que todos desejamos. No entanto, o que vemos é um sistema educacional que repete os padrões sociais, privilegiando os já abastados e marginalizando os menos favorecidos. As escolas das periferias e comunidades urbanas são deficientes, isso para não falar das rurais, das ribeirinhas, aldeãs... já as de regiões mais nobres, são irretocáveis, aparelhadas, com professores atuando, merenda escolar, etc. E quem pode, ora, paga uma escola particular, porque é melhor, claro! Nessa sociedade de liberdade relativa, onde a educação contribui para a manutenção das desigualdades, eis que surge a tábua de salvação: o professor. Aquele que antes era o detentor do saber, o mestre, evoluiu para facilitador do aprendizado. Tem que descobrir mil e uma formas de ensinar, dar conta da diversidade e da inclusão, atingir metas de aprovação, mas recebeu o ônus de ser o educador por excelência, assumindo aquela parte que antes era da família, para dar limites, até mesmo aos pais, mostrar as consequências das atitudes, desenvolvendo valores de respeito ao próximo e regras de convivência. Incrivelmente, vemos esse profissional tão desvalorizado, talvez porque nade contra a corrente do governo, buscando formar cidadãos e não consumidores, ou porque poucos percebam sua importância social. Mas bravamente, eles resistem e cumprem muito além sua primordial função de ensinar, são, antes sim, transformadores sociais, formiguinhas, tornando esse mundo um pouco melhor.