Opinião
Cortando elos de uma corrente criminosa
Publicada ontem, uma notícia certamente deve ter despertado menos atenção dos leitores pelo fato óbvio de estar inserida numa edição especial, dedicada à cobertura do segundo turno das eleições 2014. É normal que o foco das pessoas que leram a Gazeta da segunda-feira, 27, estivesse centrado no resultado da emocionante, e disputadíssima, disputa pela presidência da República. Mas a reportagem citada merece destaque, até porque se refere a um problema de segurança pública que é uma chaga nacional e não um problema localizado em Alagoas. A matéria citada informava que um integrante da Polícia Militar de Alagoas foi detido, em fragrante, quando tentaria repassar para o interior do Presídio de Segurança Máxima de Maceió (PSM) um ?carregamento? de acessórios para telefonia celular (aparelhos, baterias extras, carregadores, pen drives, cabos USB). O militar foi flagrado no momento exato no qual tentava colocar uma bolsa com todo esse material através de uma janela de banheiro. O fato comprova a participação de integrantes do sistema de segurança pública em redes de contrabando que abastecem o interior dos presídios e, ao mesmo tempo, reafirma que a instituição policial segue dotada de profissionais éticos e eficientes, capazes de resistir ao deletério ?espírito de corpo? e eficientes ao cumprirem seu papel mesmo quando um colega de farda esteja envolvido. Ponto para a Polícia alagoana. O acontecimento reforça a necessidade de serem ampliados os esforços de vigilância sobre as rotas do tráfico que alimentam o interior dos presídios. Além da indispensável revista íntima (incompreendida por muitos setores) e das revistas usuais, todo e qualquer fluxo entre o mundo exterior e o interior dos presídios e cadeias deve ser rigorosamente acompanhados, fiscalizados e desse trânsito eliminadas todas as formas de movimentação de produtos ilegais. Os celulares representam, no caso de seu uso por criminosos dentro das cadeias, um grave perigo para a população e uma tremenda falha no sistema de segurança pública. Coibir esse tráfico significa cortar os elos entre as quadrilhas, isolando seus chefes dos integrantes que ainda estejam em liberdade e à espera de orientações para cometerem novos delitos.