Opinião
A VIT�RIA GIGANTESCA
Terminou. Tal qual um majestoso clássico cheio de emoções e grandes lances, a eleição presidencial em nossa jovem democracia acabou. Dilma Rousseff reeleita por uma margem apertada de pouco mais de 3% dos votos, confirmando a pesquisa Datafolha do dia anterior ao pleito eleitoral. Não enxergo de forma matemática e pequena a vitória do Partido dos Trabalhadores e demais aliados sobre os tucanos e companhia. Ao contrário, vejo-a como gigantesca, ousada e rebelde. Explico. Não foi uma simples vitória entre partidos divergentes. Foi uma vitória sobre a grande mídia que se uniu ao que se tinha de mais conservador e elitista em nosso país para sistematicamente plantar e disseminar a desestabilidade econômica, o caos social, o caos educacional e o pior, o ódio. O sentimento nacionalista teve o mote oportunista e seletivo: a corrupção. De repente o país ?acordou? e foi chacoalhado diuturnamente que o governo era o pior de todos os tempos, contrariando os imensos avanços e conquistas das classes menos favorecidas há doze anos. E boa parte da grande imprensa mergulhou fundo no atávico desejo em retirar de cena o legado deixado por Lula e continuado por Dilma. Farsas de todo porte foram montadas, reproduzidas, publicadas e espalhadas Brasil afora. Envenenaram o doleiro Yousseff e o mataram uma centena de vezes pelas redes sociais, alardearam falsas declarações, anteciparam revistas nacionais com notícias bombásticas e intrigantes, foram às últimas conseqüências. Nada que o eleitor pudesse digerir de forma racional, ele tinha que ser levado feito estouro de boiada para cair nos braços de seu único redentor e salvador da pátria: Aécio Neves. Para alguns virou questão de honra pessoal bater no peito e se dizer brasileiro, vestir a camisa da seleção canarinho que ficou escondida na Copa, aquela que eles lutaram para que não houvesse. O nacionalismo estiloso, regado a Moët Chandon, tinha grife e pompa. Todos unidos pelo Brasil, para salvar o Brasil e por amor ao Brasil. Até 88% das urnas apuradas, faixa no peito, selfies luxuosos, mansões em festas, vestidos de grife encomendados nos mais caros ateliês, hino nacional a capela, nacionalistas apaixonados. O plano tinha dado certo. Aí chega a região nordeste e joga muita água no champanhe. A festa muda de cor, a periferia pula em êxtase, a grande mídia se cala por algum tempo e o povo mostra que a força da mudança vai continuar. E gigante pela própria natureza as urnas deram o tom e disseram, mais uma vez, que o povo não é bobo.