Opinião
ALBERTO ROSTAND, CRONISTA
Alberto Rostand Lanverly é daqueles escritores verdadeiramente vocacionados para o exercício da crônica. Observador arguto do mundo que o cerca, desveste-se da armadura cartesiana de engenheiro civil e adentra no universo da escrita com o coração escancarado, deixando-nos entrever o que lhe vai na alma, os seus sentimentos, os seus sonhos, as suas alegrias. Possui um estilo leve e uma palavra fácil, e se aproxima do leitor como quem tira um dedo de prosa com um velho conhecido. Presença constante nas páginas desta Gazeta de Alagoas, intelectual atuante nos movimentos literários da terra caeté, Rostand é daqueles seres humanos que tornam o mundo mais agradável, menos agressivo, mais propenso à fidalguia e à solidariedade. Dá-nos prova dessa sua missão o seu livro ?Penso, por isso escrevo?, que eu tive a honra de prefaciar. Nele, Rostand partilha conosco as suas muitas lembranças, desde a fazenda do avô materno, no sertão de Caicó, passando pelos tempos de estudante até chegar à sua maturidade de homem e de literato. Os meandros da engenharia, as turbulências do Brasil moderno, o encanto de Gramado, as belezas do litoral alagoano, as agruras da Fernandes Lima, as ruas de Maceió ? tudo salta dos escritos de Alberto Rostand como coisa viva, pulsante, trazendo até nós o quanto de riqueza que se esconde sob a capa das circunstâncias mais corriqueiras. Porque a vida, afinal, é feita justamente desses pequenos detalhes aos quais às vezes nem damos importância, e não das grandes epopéias eternizadas nos livros de história. A vida cotidiana, dos gestos e dos sentimentos, dos rostos amados e dos exemplos nobilitantes. Sempre vejo Alberto correndo na praia da Ponta Verde, o físico de atleta disfarçando o vovô que ele já é. Seja ali ou nas salas de aula da Universidade Federal de Alagoas, ele consegue ser sempre o mesmo, fiel às suas origens, cada vez mais apaixonado por sua Ana e vibrando com o crescimento de Bruna, Larissa e Flávia. Do pai, Rostand, herdou a firmeza de caráter e a paixão pelo justo; da mãe, Marlene, carrega a imensa capacidade de ajudar ao próximo. E dos tios Heliônia Ceres e Eudes Jarbas, nomes marcantes da literatura alagoana, traz o legado da intimidade para com as letras. Com o seu novo livro, Alberto Rostand Lanverly consagra o seu compromisso com a arte da escrita em nosso Estado e nos oferece uma ótima companhia para os nossos momentos de ócio criativo. É uma leitura que vale a pena ser feita.