Opinião
Um pantagru�lico apetiteem preju�zo da cidadania
Não surpreende, posto acontecimento corriqueiro, mas um comentário se faz necessário até para evitar a banalização do despautério: o aumento do ?duodécimo? da Assembleia Legislativa de Alagoas é um absurdo. Como justificar um crescimento de custos no valor de R$ 15 milhões anuais? Como explicar que esse aumento no presenteado à Assembleia se dê em simultâneo com uma redução de R$ 13 milhões no valor do que será destinado à educação pública? Será que isso fica assim mesmo? O pior é que, até prova em contrário, fica assim mesmo. Como dantes, no quartel de Abrantes, fica evidente não só o completo distanciamento dos que fazem a Casa Tavares Bastos da realidade social alagoana como o total desprezo para com a opinião pública. Tamanha desproporção de aportes e de desconsideração para com as óbvias prioridades do Estado comprovam o afastamento dos poderes, ou pelo menos de algum deles, da relação de respeito para com o público e da necessidade de prestar contas de suas atividades, de justificar seus dispêndios. Poder Constituído não significa estar acima dos demais mortais e sim quer dizer estar investido de missões próprias de Estado. Em verdade, quem ocupa um poder se dispõe a receber sobre os ombros uma carga maior de deveres que os demais cidadãos e cidadãs. É o poder constituído (legislativo, executivo e judiciário) um ente criado numa instância superior, o poder constituinte, e não pode aquele exercitar-se em desacordo com este. E, a menos que se prove o contrário, as diretivas maiores constitucionais, centradas no atendimento às principais demandas da população, como o direito à educação, à saúde e à segurança públicas, passam a ser inferiores ao apetite despropositado de um dos entes constituídos, no caso em tela, o legislativo alagoano. Ao carrear para si a soma adicional de R$ 15 milhões ao mesmo tempo no qual é subtraído o montante de R$ 13 milhões da rubrica relativa à Educação, o legislativo alagoano mostra-se pessimamente educado em cidadania, literalmente tirando o pão da boca de quem mais necessita dele ? e num Estado onde os índices sociais são escandalosamente sofridos. Em termos práticos é a inversão absoluta dos valores constitucionais. Será que isso fica assim mesmo?