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Sil�ncio obsequioso

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RONALD MENDONÇA * Quase dava chabu a indicação do novo presidente do Banco Central. Henrique Meirelles, com certeza, é a antítese de toda a pregação petista. Por outro lado, ao impor a lei do ?silêncio obsequioso? à senadora alagoana, o PT não poderia ser mais ortodoxo. Lembram-se de Leonardo Boff, aquele da Teologia da Libertação, também punido com castigo semelhante pela Igreja Católica ? e que por isso foi chamada de retrógrada e antidemocrática? Não é de hoje que dissidentes políticos e/ou religiosos entram pela porta da frente da história e alguns até viram santos da Igreja. Vem daí a lembrança de Tomas More, escritor e humanista do século dezesseis. Chanceler da Inglaterra na época de Henrique VIII, More foi testemunha e personagem de um período marcado por grandes transformações no próprio país e no mundo inteiro. Os dissabores de More começaram quando o monarca ? que, segundo dizem, não batia bem da cabeça ? buscando a todo custo um herdeiro para o trono, queria anular seu casamento e contrair núpcias com outra mulher. O ministro, católico convicto e gozando de grande prestígio junto ao Papa, negou-se a subscrever o ato de anulação, inviabilizando assim o projeto real. Hábil diplomata, o autor de Utopia ainda tentou salvar a própria pele com uma saída honrosa, dizendo que, ?por amizade ao rei?, apesar de não assinar o tal documento, evitaria comentar o caso. Para o bom entendedor seria a filosofia do ?quem cala, consente?. Em desgraça, o hoje canonizado More foi condenado à morte por decapitação. Henrique VIII, por sua vez, passou ao largo da proibição papal: separou-se da mulher para casar com Ana Bolena ? e ainda fundou o Anglicanismo, religião oficial da Inglaterra. Seus descendentes são os atuais monarcas ingleses. É claro que as rusgas internas no nosso PT estão a alguns quilômetros do que ocorreu na Inglaterra 5 séculos atrás. Lula não é herdeiro do trono; Heloísa Helena, ao divergir e impelida a silenciar, se não será santa pelo menos não corre o risco de ser decapitada. Por sua vez, Henrique Meirelles, a ?serpente capitalista?, parece não despertar a mesma paixão que levou o outro Henrique, o oitavo, a brigar com meio mundo ? é ?expelível? na primeira pisada de bola. De qualquer forma, apesar de ter sido ?abafado?, foi positivo ver que, a despeito da eufórica embriaguez do momento, não se perdeu inteiramente o juízo crítico. A grande verdade é que o jogo nem começou e já tem gente sem botar muita fé no time de Lula. E no mais é rogar ao Menino Jesus que nos proteja. Amém! (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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