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Opinião

O DESRESPEITO AOS IDOSOS NO AEROPORTO DE RECIFE

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Há dois anos, de volta de uma viagem ao exterior, tive que vir de avião para Maceió, pelo aeroporto de Recife tendo que passar, na hora do embarque, por aquelas inspeções de segurança existentes em todos os aeroportos do mundo. Acontecimento corriqueiro, sem traumas, a não ser se você estiver transportando algo fora da lei. Viajo por todos os continentes, fui agente de viagens por 30 anos, estou bastante acostumada a esses tramites, sabendo perfeitamente de todas as leis exigidas, portanto, naturalmente sem criar nenhum problema. Tenho bastante idade, e sempre fui tratada com a consideração merecida, não somente por minha senilidade, como, principalmente, nos últimos anos que me tornei deficiente e uso cadeira de rodas. Porém, foi inacreditável a maneira abusiva e injustificável como me tratou a funcionária nesse dia. Além de me tirar os sapatos e o casaco, ainda exigiu que eu entrasse num quartinho e despisse a minha blusa para um exame mais apurado, me tateando todo o corpo como se eu fosse alguma criminosa. Ah, não gostei de tal desrespeito ao qual jamais, em lugar nenhum fui submetida. E reclamei fortemente! Desta vez que vim dos Estados Unidos, voltei por Recife. Na hora do embarque ao passar pela revista de segurança, fui tratada com grosseria pela funcionária que além dos processos comuns de tirar casaco, tudo que levar nas mãos e os sapatos, queria me conduzir ao tal quartinho para me despir e me apalpar como da outra vez. Protestei e não quis me submeter a esse exame ridículo e desnecessário, pois além de achar um desrespeito à minha senilidade e deficiência física não me agradaram as apalpas de que fui vítima ao passar da outra vez. Fiz um verdadeiro discurso em voz alta contra essa atitude humilhante. Chamaram o delegado e seu auxiliar para me obrigar ao tal exame, mas nem me calei nem me submeti ao que desejavam. Sou uma cidadã digna, não sou terrorista, escondendo explosivos no corpo nem traficante de drogas, não admito essa forma de tratamento. Além do mais, havia outros dois cadeirantes na fila e nenhum foi submetido a esse vexame. O melhor que a polícia faria em vez de estar incomodando uma passageira de 90 anos numa cadeira de rodas era ir para as ruas proteger os cidadãos brasileiros dos criminosos que tiram a paz de nossa nação. Acabei deixando que me examinassem em consideração aos passageiros. Quando sai fui aplaudida por algumas pessoas que me disseram: ?Foi muito bom! A senhora disse o que todos os cidadãos brasileiros querem dizer e não têm coragem!?.

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