Opinião
Cuidados com a natureza e com a economia tamb�m
Foi divulgado, no domingo, em Copenhague, o mais novo documento elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês). O texto acentua o foco um tanto quanto apocalíptico típico das entidades ambientalistas, mas toma o cuidado de salientar que ?ainda dá tempo? para se evitar o pior. Ainda bem. Todo problema deve ser abordado por suas possibilidades de solução, por mais difícil que seja. Quando se aborda uma equação qualquer com ânimo de ?já perdi?, a derrota é certa. O mundo vive, sem dúvida, graves e crescentes problemas ambientais. Indubitavelmente, os danos impingidos pelo ser humano contra a Natureza são reais e merecem ser denunciados (além de avaliados). Mas o discurso do tipo fim dos tempos já comprovou sua ineficácia, por vários motivos. Aqui mesmo, no nosso Brasil velho de guerra, passamos por dias inusitados de grave seca no Sudeste e chuvas persistentes no Nordeste. O rico estado de São Paulo vive seus dias de sertão ressequido, expondo ao público a inédita cena de chãos gretados de várias de suas represas. Na lista de medidas receitadas pelo relatório do IPCC/ONU destaca-se a substituição gradual, porém decidida, até 2100, do uso dos combustíveis de origem fóssil pelos renováveis. Nesse cenário se insere, mais uma vez, as potencialidades brasileiras na produção dos biocombustíveis. Infelizmente o avanço registrado durante o governo Lula sofreu uma retração lamentável nos últimos quatro anos. Uma das causas, como se sabe, desse recuo, está na crença de que o Pré-Sal viria a ser a única salvação. Sem dúvida que o potencial nacional nesse campo é real e entusiasmante, mas não pode ser entendido como ?a? alternativa, excludente de todas as demais. Sabemos que essa marca do ano 2100 é algo muito difícil de ser atendida, até porque contraria os interesses de todas as grandes potências. Porém, algo precisa ser feito. E mais, se, ao lado da utilização dos recursos petrolíferos próprios, nosso País voltasse a investir nos biocombustíveis, nossa economia e nosso papel internacional seriam imensamente turbinados. Naturalmente.