Opinião
Dez dias que n�o abalaram o mundo
Os primeiros dez dias depois das eleições foram, naturalmente, marcados pelo acaloramento típico dos momentos imediatos a uma renhida peleja. Afloraram mais, é verdade, os ressentimentos daqueles que se consideraram derrotados nas urnas ? também algo compreensível. Excessos, perfeitamente dispensáveis, foram assinalados. É o caso da manifestação ?pró-ditadura? realizada na capital paulista e do lamentável pedido ? injustificado ? de ?auditoria? no processo eleitoral eletrônico. Caberá às lideranças da oposição a atitude de reconduzir suas forças para o seio do bom combate democrático, cuja pedra angular é o reconhecimento da vontade do eleitorado. Uma referência, digna de ser reconhecida e saudada, foi a adotada pelo candidato Aécio Neves quando de sua primeira fala depois do resultado desfavorável, quando num gesto de maturidade e segurança, reconheceu o revés, desejou boa sorte à vitoriosa e reafirmou suas convicções. Esse é o caminho. Democracia exige resignação frente à conjunturas desfavoráveis, o que não pode ser confundida com adesão ou genuflexão aos vitoriosos, muito menos pode ser entendido como silenciamento. Aceitar os resultados das disputas eleitorais e/ou judiciais é o abc da democracia e do Estado de Direito. O Brasil passa por tempos difíceis, acossado por uma crise econômica com epicentro no exterior e sendo cobrado para, o mais rápido possível, reencontrar o caminho da prosperidade e aprofundar o processo de inclusão social. O governo precisa repensar os rumos, ajustar os passos, redefinir suas políticas e alianças e, conforme a própria presidenta reeleita já sinalizou, não pode esperar pela chegada de janeiro; o novo governo precisa ser antecipado. Nesse cenário está reforçada a importância de uma oposição vigilante, firme, responsável e ética. Papel que só pode ser desempenhado por quem não se deixa levar por ressentimentos e recalques. Quanto ao governo renovado nas urnas, sua responsabilidade só fez aumentar com os louros da reeleição. Saber tratar com sua complexa rede de alianças, também redesenhada, na prática, pela força das urnas, é outra tarefa imediata e prioritária depositada no colo da presidente Dilma Rousseff. Enfim, uma dezena de dias depois de encerrado o grande confronto, novas missões, novas batalhas estão confiadas à situação e à oposição. E o Brasil exige que ambos saibam cumprir seus papéis.