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Opinião

Hora da revolu��o

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Fim das eleições. O país segue seu curso, independente de se goste ou não do rumo. Mais importante que tudo, nossa jovem democracia aparenta ser cada vez mais irrevogável. Por que então o clima de melancolia no ar? Há uma impressão difusa de que a campanha mais disputada e acirrada dos últimos tempos deixou certa marca negativa na sociedade. Muitos vêem na cisão da população em dois blocos ligeiramente sólidos, uma ameaça de surgimento de novos problemas, como se já não bastasse os outros tantos. Luta de classes, discriminação, elitismo, e até um pitoresco ?separatismo? surgiu insidioso pelas redes sociais, vindo principalmente do sul, supostamente mais avançado, mas aparentemente, não mais inteligente. Quem é acostumado com internet não viu novidade no fato, mas todos perceberam uma leve mudança de tom, o que sempre se compartilhava como piada, dessa vez, veio em um tom assustadoramente neutro. No fundo, foi nossa primeira eleição carnaval. Um feriado para os discursos estremados, usualmente censurados nas gargantas dos foliões das opiniões. Mas chegarão, em prováveis mais de 4 dias, as cinzas. Os fanfarrões voltarão à novela e o futebol, as cabeças voltaram para o lugar. Só uma coisa me preocupa. A descidadania, que acaba de ser inventada como palavra, mas nos persegue há séculos, foi a grande vencedora do pleito. Adoramos fingir que não sabemos que o grande problema do Brasil é o brasileiro. Nós que reclamamos da sujeira da cidade e jogamos lixo na rua, nós que reclamamos do trânsito e fazemos conversões proibidas, nós que subornamos o guarda, sonegamos IR, matamos o serviço, e reclamamos, reclamamos, reclamamos. Como um crack, é nosso vício culpar as ?autoridades?. Se achar que ao governo tudo cabe é nossa tese, o subdesenvolvimento é, então, nossa sina. Na consciência coletiva, paira uma nuvem de ?eu agora que não vou fazer nada pra ajudar mesmo?. Abrace a nova filosofia, com meu apoio irrestrito, se antes você aceitar meu desafio. Meu chamado é para aproveitar o momento e calcular o que você vinha fazendo antes. Se dar moedinhas no sinal não lhe parecer pouco, lhe asseguro, é. Olho pra mim mesmo e vejo muito pouco além do mínimo. O que você vê? Que tal então inverter a lógica? ?agora não ligo mais para quem está no poder, vou mudar as coisas começando por mim?. O bom da revolução pela cidadania é que ela é imune a resultados eleitorais.

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