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DIANTE DA MORTE

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Como padre, um tema frequente em meus sermões é a morte, visto que sou chamado inúmeras vezes a realizar os ritos fúnebres cristãos. Em cada momento presencio diversas reações diferentes dos parentes e amigos, o que me faz ficar maravilhado perante esse mistério e também reflexivo. Dentre o que me veem à mente é a certeza que o homem gostaria de ter o controle da morte. Recentemente acompanhei nos noticiários o caso de uma jovem norte-americana que praticou eutanásia. Como possuía um câncer, não queria prolongar sua vida, pois a mesma estaria associada a mais dores e sofrimentos. Tendo conhecimento disto, pensei neste controle que o homem deseja ter de tudo. Imagine programar o dia e o horário da própria morte? Em suma, eu retiro o controle de Deus sobre essas circunstâncias e me coloco no lugar de senhor em face a questões como esta. Outra forma de tentativa de controle da morte e da vida é o aborto. Lembro-me uma vez, em sala de aula, a discussão que foi gerada sobre o momento em que o feto era considerado um ser humano, uma pessoa. Independentemente do quando algumas ciências tentam afirmar ser o embrião uma vida, só o fato de pairar uma dúvida - pensei naquele dia ao escutar os argumentos - já me faria não tomar nenhuma atitude tão grave contra ele. Como é fácil tentar resolver com a morte daquele que não pode se defender algo que eu considero um ?erro?! Realmente, quando eu fico ciente de pessoas que escaparam do abortamento, e do arrependimento posterior de seus pais, agradeço pela ajuda e intervenção divinas, quando o homem tentou mais uma vez brincar de Deus. Alguns paroquianos ficam assustados quando digo que não tenho medo da morte e diante dela meu coração se enche de alegria e não de temor. Uma única explicação é possível para isso: eu redimensionei seu significado depois que me tornei cristão. Hoje a chamo de irmã e penso em sua chegada como um dia feliz. Para mim, ela não representa o fim. É uma páscoa, ou seja, uma passagem para a eternidade. Será através da minha morte que darei meu abraço definitivo naquele que eu passei a vida inteira ansiando ver face a face. Aguardo-te, doce dama, mesmo que chegues inesperadamente! O banquete já está preparado para juntos cearmos.

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