Opinião
Macei� e os netos dos nossos netos
Quando me formei em Engenharia Civil em 1970, já era funcionário de Prefeitura de Maceió desde 1967. Trabalhava na antiga Sumov. Durante minha vida profissional dediquei-me à elaboração de projetos de infraestrutura urbana. Hoje, aposentado, continuo trabalhando e tenho uma empresa de projetos e consultoria. Em 1970 Maceió tinha 263.670 habitantes. A Av. Fernandes Lima não tinha pista dupla, a Álvaro Otacílio e a Assis Chateaubriand não eram pavimentadas; a praia de Pajuçara não estava urbanizada; a região norte da cidade terminava na Gruta de Lourdes e o litoral norte só era habitado até o Alagoinhas. Maceió só tinha uma favela, o Ouricuri. Na prefeitura, os computadores só vieram aparecer em 1995; desenhávamos projetos em papel vegetal com canetas abastecidas a tinta nanquim, com ajuda do normógrafo. Casei em 1972. Estamos em novembro de 2014. De lá para cá a população de nossa capital já ultrapassou um milhão de habitantes. A cidade caminha para ser uma grande metrópole. Nesse intervalo (1970/2014) de 44 anos o crescimento populacional foi de 255%. Maceió é uma cidade muito boa para se viver e propícia para o turismo. Temos belíssimas praias, a paradisíaca Lagoa Mundaú, clima tropical com sol quase o ano todo. Nosso potencial turístico é ilimitado. Infelizmente a cidade não se preparou para abrigar toda essa população. Por ser a capital do estado, Maceió ainda recebe os 2,4 milhões de habitantes dos outros 100 municípios de Alagoas. Nossa capital tem hoje mais de 150 favelas. Temos um sistema viário deficiente, o abastecimento d?água e o esgotamento sanitário são precários. Em fim, as administrações públicas não conseguiram fazer as obras necessárias para acompanhar o crescimento da cidade. Em minha opinião foram empregados poucos recursos em obras públicas, vemos isso quando visitamos outras capitais brasileiras. Hoje tenho quatro filhos e sete netos. Em 2065, Maceió poderá ter mais de 3 milhões de habitantes, três vezes mais do que hoje. Não tenho condições de dissertar os problemas futuros em matéria de saúde, educação, segurança pública, empregos; comento a necessidade de se planejar a infraestrutura física da cidade para daqui a 50 anos, visto ter experiência no assunto. As atuais e futuras administrações não podem pensar somente nos seus quatro anos de governo porque 50 anos é um nada, logo passa. Estou preocupado com Maceió, como alagoano, como técnico, porque será nessa maravilhosa cidade que irão morar os netos dos nossos netos.