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A democracia exige oposi��o a s�rio

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Cabe à oposição fazer alarde, buscar falhas no governo, cobrar soluções, proferir discursos contundentes. Isto tem sido realizado, com rara eficiência, nos últimos 12 anos. Sem medo de erro, pode-se afirmar que com o PSDB no manche, as oposições têm voado alto, conseguindo inclusive emplacar CPIs e CPMIs ? coisa que, em seus tempos de opositor, ao longo dos oito anos de FHC, o PT jamais conseguiu. Ainda sob os eflúvios da campanha presidencial deste ano, as oposições têm se esmerado em ampliar seus espaços e apertar o cerco contra a presidenta reeleita. Faz parte do jogo democrático, isto é evidente. Mas é importante que seja superada a fase de radicalismo infantil e destrambelhamento que tem marcado esses dias pós-eleição. Apelos em prol de golpes militares, auditoria das urnas (sem justificativas plausíveis), impeachment (sem motivações reais) e sandices do tipo são manifestações que oscilam entre o folclore e a irresponsabilidade. Pode-se até argumentar que as principais siglas opositoras não participaram oficialmente de tais esbórnias, e até que alguns dos líderes oposicionistas se posicionaram contra essas diatribes ? o que é verdade ?, mas é cobrada à liderança (que queira se apresentar efetivamente como tal) uma postura mais séria de condenação, e na hora certa, a tais leviandades. Discursar, depois do prejuízo, para dizer ?que não concorda com isso?, não contribui em nada. Um dos momentos mais hilários desses acontecimentos tragicômicos foi a petição endereçada ao governo americano solicitando da Casa Branca uma intervenção nos rumos do Brasil para ?impedir? que nosso País seguisse o caminho ?bolivarianista?, ou coisa do tipo. Apesar de ridícula, e de ser tratada como tal por Washington, o estapafúrdio pedido demonstra vem o primitivismo político-ideológico de setores destacados do movimento oposicionista. Embora caiba às lideranças verdadeiras da oposição o gesto, firme e claro, de rechaçar tais estupidezes, também deve ser cobrado do governo atitudes destinadas a fazer arrefecer os ventos aquecidos e a desarmar os espíritos dispostos ao diálogo. Afinal, quem vence tem mais responsabilidades. Esta é uma das regras do jogo: jogar água na fervura. E não vale usar volume morto.

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