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Opinião

Quando o preconceito � castigado pela vida

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Tem a vida ironias tão cortantes que poder-se-ia imaginar se algum ser sobrenatural não usaria do humor como açoite aos pecadores. Apesar das escrituras sagradas não respaldarem tal suposição alguns acontecimentos parece ter sido programados com o fito de dar lições impagáveis à populações inteiras, infelizmente castigadas pela incúria e maldade de uma minoria barulhenta e ofensiva. Este poderia parecer o caso, inusitado, do estado de São Paulo estar sendo flagelado por uma seca atroz, que embora esteja muito distante das realidades dos áridos sertões nordestinos, lembra ? na prática ? os sofrimentos dos moradores do semiárido. O fato é que coincide o ressecamento paulista com a onda de preconceito contra os nordestinos, prevenção odiosa manifestada escandalosamente por grupelhos espumantes de ódios e ressentimentos contra os menos ricos em geral e mui especialmente contra o Nordeste. Num quadro de crescentes insultos, motivados pela expressiva votação conferida a presidenta Dilma Rousseff, toda uma região foi alvo da maledicência de uma minoria raivosa que se identificada como paulista e/ou usava, incorretamente, da legítima preferência da maioria do eleitor de São Paulo por outras candidaturas. Nesse cenário de agressão e intolerância, a seca grassou onde nunca antes tinha existido. Ironias à parte, é evidente que nada de sobrenatural veio a intervir naquela realidade, produto apenas dos caprichos da Natureza somados a erros de políticas públicas praticadas pelo Palácio dos Bandeirantes (que priorizou o distanciamento e engavetou os projetos que exigiriam parceria com o Palácio do Planalto ? como o de integração entre as bacias que cortam a região). Assim, o somatório dos condicionantes naturais com equívocos administrativos levaram a uma situação que o imaginário brasileiro tradicionalmente identificava como ?castigo?, do tipo ?falou mal deles, agora vejam o que eles sofrem!?. Tamanha é a crise hídrica no estado mais rico da federação que a mídia (BBC Brasil) chegou a relatar caso de assalto de água, como o descrito em Itu (a 102 km da capital paulista?, num depoimento de um morador: ?É desumano. Uma pessoa chegou na bica com uma arma e falou pro pessoal: ?passa a água!? Olha a inversão de valores que a gente tem?. De fato, parece coisa do além...

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