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Opinião

ELOGIO DA INTEMPERAN�A – 2

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A língua do intemperante não tem domínio e está sempre a serviço da execração de seus adversários. Rumina intempéries e desfigura a realidade com a mesma disposição com que se interpõe aos fatos. Possui sua própria forma de ver e interpretar os acontecimentos dentro de sua conveniência e interesses pessoais. É ávido por discernir o que a razão humana não deseja fazer juízo de valor. Põe a verdade sob a bruma da desconfiança. Adora litigar. Para que não se confunda o impetuoso com intemperante, do primeiro diz Maquiavel: ?O papa Julio II agia sempre impetuosamente e seus tempos e circunstâncias se conformavam tanto a esse modo de agir que conseguia ter êxito.? E disto ainda acrescenta Napoleão Bonaparte: ?Felizmente para mim, já não há papas como este, que jogou as chaves de S. Pedro no Tibre para empunhar a espada de S. Paulo?. Nota-se, claramente, que o sujeito impetuoso age por impulso, motivado pela sua própria emoção. O impetuoso é inconsequente, não possui um elenco de ações prontas e disponíveis para uso imediato. Ao contrário é refém do seu próprio instinto e não da razão. O troféu do intemperante é a discórdia das partes adversárias. Não assume nenhum partido e ao contrário conduz a essência do litígio ao seu próprio benefício, ou arranja uma razão próxima. Conheci um sujeito, que era auditor, que dizia, categoricamente: ? ? A princípio de conversa todo gerente de banco é ladrão.? No entanto, usava a frase, muito mais como um jargão para assustar do que propriamente para agir. Era correto, extremamente justo e não fazia juízo de valor antes de conhecer os fatos. Era ético por natureza. já o conheci, aposentado do Banco do Brasil. Ninguém podia ser mais severo, sendo tão justo. Ninguém podia ser tão impetuoso sem ser intemperante. Costumava contar rindo que um dia encontrou um sujeito lá pras bandas do Pará que era natural de Maceió, mas depois de vinte anos estava preste a voltar para Alagoas. Ele aproveitando o ensejo impulsivamente perguntou: -Estava esperando a pena prescrever? - E, imediatamente o cara confirmou. ? Ficou radiante! Achou que poderia fazer a mesma pergunta a um oficial da Marinha na mesma situação. O homem ficou uma fera e quase parte para a briga. Eis um sujeito impetuoso, sem malícia que é vencido pelo instinto. Finalmente a que se atribui os louros da intemperança, considerando que tantas vezes este atributo é causa de virtude? Que virtude existe na agressividade compulsiva senão à semelhança canina? O temperamento do cão é o temperamento do dono. O intemperante, assim o é, porque politicamente é aceito como tal. Torna-se conhecido pela sua ferocidade, pelo seu mau humor.

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