Opinião
NORDESTE: DESCONSTRUINDO PRECONCEITOS
A população nordestina se deparou com um dos mais perversos e descabidos preconceitos por parcelas da sociedade brasileira residentes nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, hipoteticamente da classe média e alta, caracterizadas por segmentos conservadores, aliados aos interesses e pensamento da burguesia reacionária nacional, com ampla cobertura e apoio dos grandes meios de comunicação e das redes sociais. O Nordeste, admirado, cantado e decantado pelos ?sulistas? por sua beleza natural, capitaneada pelas praias, rios e lagoas; por sua rica culinária, artesanato e manifestações populares. De repente, a sua população é atacada como um bando de ?miseráveis?, ?mendigos?, ?ignorantes?, ?acomodados?, ?preguiçosos? e ?analfabetos?. Mas de onde vem tanta brutalidade, desrespeito e violência? Pasme! Originado exatamente da autoproclamada sociedade pretensamente civilizada, rica e bem educada! Mas por que tanto ódio e intransigência para com o nordestino?! A Antropologia Cultural identifica que faz parte do ser humano o etnocentrismo, ou seja, cada grupo social coloca-se no centro e enxerga e julga o ?outro? a partir do próprio mundo. Mas a própria antropologia cuidou de contribuir para a relativização cultural na medida em que o ?eu? coloca-se no lugar do ?outro? na perspectiva de compreender o seu mundo. Historicamente, o Nordeste foi o primeiro lugar onde os europeus desembarcaram, para colonizar, escravizar, matar, explorar e espoliar as riquezas aqui encontradas. Os nativos, livres e autônomos, tornaram-se escravos e selvagens. Com o tempo, trouxeram os grupos africanos para garantir a economia e negócios das metrópoles europeias. E, por fim, os pobres. Na literatura que retrata o Nordeste, encontram-se duas vertentes: a conservadora, com seu ufanismo congênito, exalta o modelo da Casa Grande, dominada pela economia açucareira; a progressista caracterizada pela dominação da classe dominante sobre os miseráveis. Nas duas perspectivas, solidificaram e promoveram o preconceito contra a população nordestina, ignorando a resistência política, a diversidade étnica e cultural e a riqueza da região. As eleições para a presidência da República foram o canal para a expressão da insatisfação, por um lado, e, por outro, de aprovação do projeto de Estado de Bem Estar Social em curso. Por sua vez, os meios de comunicação, que têm como atribuição constitucional promover a informação objetiva e a igualdade social, ao contrário, parcela importante dos grandes meios de comunicação ecoaram incentivou e impulsionou os preconceitos e as intransigências contra a população nordestina.