Opinião
Saber perder
Pensei que fosse o fim. Após ouvir o discurso do candidato que disse que havia combatido o bom combate e guardado sua fé e que ele mesmo havia telefonado para a candidata eleita parabenizando-a pela vitória, sacramentei que nossa jovem democracia tinha dado mais um passo à maturidade. Ledo engano. Parece-me que Millôr Fernandes acertou quando retratou que a democracia começa na hora de votar e termina na hora de contar. A fala virtuosa do candidato tucano não foi acompanhada de ação idêntica. Mais uma vez o discurso ficou vazio pela atitude pequena em contestar o que a maioria do povo brasileiro decidiu de forma livre, consciente e soberana. O terceiro turno foi aberto. A tentativa de se ganhar à qualquer custo foi escancarada e deu azo à alguns poucos patifes e outros tantos calhordas saírem às ruas para pedirem a volta da ditadura militar, pois seus caprichos eleitoreiros não foram atendidos pela maioria do povo brasileiro. Palavras de ordem sugerindo impeachment, segregação, separatismo e ofensas ao povo nordestino foram covarde e ardilosamente arquitetados para desestabilizar o processo eleitoral do qual fizeram parte se dizendo democratas e republicanos. Não foram após a contagem dos votos. A democracia, pare eles, terminou ali. Como meninos mimados fizeram birra e se jogaram no chão berrando e chorando para que seus reclamos teimosos fossem atendidos. Praguejaram contra o sistema, contra seu povo, contra tudo e todos que não produziram em cores azuis seus mais deliciosos caprichos. Infelizmente mancharam a história. Infelizmente macularam a justeza do pleito e desrespeitaram todos que de forma serena e pacífica utilizaram o poder do voto para fazer sua lídima escolha. Saber perder é o primeiro passo para verdadeiro amadurecimento, engrandecimento e serve para pavimentar vitórias vindouras. Só vence quem sabe perder, e neste quesito é fato que os tucanos e seus seguidores nos deram lições de incivilidade, arrogância, soberba e pecaram pela falta de honestidade entre a ação e o discurso. Se a vitória não lhes foi merecida, a derrota lhes tirou a dignidade e arranhou de maneira indelével o fair play eleitoral. Reprovados pois na lição democrática em 2014. Resta-me desejar que em 2018 aprendam a perder, para que depois possam ganhar. Uma lição de cada vez.