Opinião
N�o cabe parcialidades na luta contra a corrup��o
Recrudesceram, com intensidade, os usos partidários de eventos e atitudes de instituições públicas que deveriam ser completamente isentas desse vezo, até para terem todas as condições de cumprirem suas missões de forma totalmente independente e plenamente cidadã. O tratamento dado às recentes iniciativas da investigação sobre as denúncias desvios de conduta de diretores da Petrobras está claramente contaminado pelo viés do partidarismo, e tem sido abordado por vários veículos importantes da mídia nacional como se fossem propaganda partidária. Cabe aos poderes públicos, às instituições diretamente envolvidas nas investigações, o indispensável distanciamento das disputas políticas em curso. É importante para o País e para a própria Petrobras que tudo isso seja devidamente esclarecido e que toda e qualquer falcatrua seja apurada ? não apenas aquelas que possam ter ocorrido no período no qual apenas um partido esteve e/ou esteja no poder. É público e notório, por exemplo, que o principal executivo envolvido nessa operação ocupava postos de relevância desde 1995, tendo sido promovido, por indicação política, ainda no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, não tendo, portanto, explicação, concentrar 100% das investigações apenas no ?período petista?. Para ser respeitado, o trabalho tem que ser feito completo, sem critérios seletivos por siglas. Sabe-se, por vias nem sempre adequadas, que depoimentos anteriores dos mesmos indiciados teriam apontado para lideranças integrantes de siglas atualmente de oposição ao governo federal; mas essas mesmas vias silenciaram e deixaram de cobrir essa vertente, concentrando-se exclusivamente no que pode ter vínculos com a ?situação?. Erro mais grave e mais antigo, e aprofundado pela cobertura de alguns poderosos veículos de mídia, é a condenação antecipada. Os investigados, os eventualmente detidos, já estão condenados à execração pública e publicada, sem direito a defesa. Até objetos pessoais, obras de arte, têm sido expostos ? antes da conclusão do inquérito ? como ?produtos do roubo?. Mais uma vez o Brasil se vê envolvido, através de uma bandeira essencial à cidadania ? a luta contra a corrupção e a impunidade ? numa tentativa de direcionamento das informações e de manipulação dos fatos que, ao fim e ao cabo, beneficiam forças ligadas à corrupção e à impunidade.