Opinião
REVOLU��O CIDAD�
No último texto, defendi a ideia de que se ficarmos esperando o dia em que iremos eleger o candidato a perfeito que resolverá todos os problemas, sem que precisemos sair do sofá, estamos perdidos. Surgiu agora um exemplo que ilustra bem o que eu queria dizer, o caso de um juiz apanhado em uma blitz da lei seca, sem carteira ou documentos do carro, que além de se recusar a aceitar o reboque, prendeu a guarda de trânsito. A agente então processou o magistrado, pelo constrangimento que passou. Pois eis que o julgador do caso não só inocentou o colega, como sentenciou a funcionária pública a pagar 5 mil reais. A decisão se manteve na segunda instância. Não poderia haver caso mais elucidativo de como é difícil mudar as instituições. Estamos mais do que acostumados com a existência desses privilégios, a questão é como vamos mudá-los. Achar que qualquer candidato à presidência ou qualquer conjunto de parlamentares vai, espontaneamente, comprar briga com o judiciário, acabando com descalabros como esse, e outros piores, como a punição de juízes com aposentadoria precoce, é uma fantasia. O CNJ disse que vai rever essa decisão. Pois é, alguém se lembra de ter visto algum debate sobre o esvaziamento do CNJ durante a eleição? O que importa aqui é o que levou, ou mais precisamente, obrigou o judiciário a rever sua decisão. O que mudou o desfecho dessa história foi a mobilização da sociedade. A indignação difusa, mas isolada, sempre existiu, mas agora a população decidiu se juntar e enfrentar a autoridade arrogante. Um grupo de pessoas fez uma vaquinha e conseguiu 20 mil reais para que a agente não tivesse que pagar por fazer seu trabalho de forma correta. Isso significa muito mais do que parece, significa que a sociedade reverteu, na prática, a decisão judicial. Há muito o que fazer. Boas ideias nos mostrarão caminhos diversos, mas a forma mais direta de deixar de ficar refém de políticos ruins é, como foi feito no caso acima, tirando dinheiro do bolso. Maceió é campeã em violência, o que você fez, pessoalmente, para melhorar isso? Você acha mesmo que as autoridades vão resolver esse problema? Que tal então, nos organizarmos de verdade, em associações de bairro, e colocar câmeras nas esquinas? Infelizmente, muitos não tem os recursos para isso, mas boa parte dos leitores têm. E ai então, que tal começar a mudar Alagoas nós mesmos?