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Opinião

Rigor para al�m do partidarismo

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Como era de se esperar a operação lava-jato está turbinando os noticiários. Motivos para ganhar espaços cada vez maiores nas pautas não faltam, quer seja pelos valores citados, ou pela grandeza das empresas envolvidas e pelos óbvios interesses políticos/partidários envolvidos. Dilma Rousseff, falando do exterior, quando participava da reunião do G-20, afirmou que ?esta investigação vai mudar para sempre as coisas no Brasil?. Talvez um pouco de exagero, mas acertou mais a primeira mandatária ao dizer que ?a corrupção sempre existiu no Brasil, a diferença é que ela agora está sendo apurada?. Faltou à presidenta, e talvez tenha silenciado num prudente gesto de evitar jogar mais lenha na fogueira dos defensores do ?terceiro turno?, que essa investigação, apesar dos atuais números e nomes superlativos que está a deitar a mão, só mudará verdadeiramente alguma coisa na longa história de corrupção no Brasil se for extensiva, apartidária e transparente. A transparência começará a ser atestada quando o teor integral dos depoimentos for conhecido. Até o momento, pelo divulgado através da chamada ?grande mídia? se estabelece a impressão que os vazamentos estariam sendo seletivos, e direcionados para os mesmos alvos, ou seja, siglas governistas. Ao se dar a público apenas trechos selecionados, se compromete a integridade da informação. A amplitude partidária fica evidente mesmo com a seletividade imposta aos ?vazamentos?, siglas e lideranças hoje oposicionistas, segundo a mídia e advogados que acompanham o processo, já foram citados por mais de um depoente. E a extensão do período investigado também é fundamental, pois como as supostas falcatruas estariam apoiadas em poucos diretores da Petrobras, é indispensável que as ações dessas pessoas sejam detalhadamente analizadas, pelo menos, desde a nomeação de Paulo Roberto Costa como diretor da Petrobrás, ou seja, 1995. Não há como excluir oito anos de ?trabalho? desse diretor, indicado como tal no governo Fernando Henrique Cardoso. Apesar dos inegáveis vínculos políticos e partidários existentes, essa operação não pode ser reduzida, e atrofiada, num mero palanque eleitoral.

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