Opinião
DIAS MELHORES VIR�O
De vez em quando costumo dizer que a esperança é a penúltima que morre. Antes dela, só as sogras e os diamantes. Se perguntarem ao povão se houve surpresa com a prisão de João Vaccari, tesoureiro do PT, creio que ouviremos um sonoro não. Com efeito, a diretoria do Partido dos Trabalhadores vem se notabilizando pela inelutável compulsão em envolver-se com atividades ilícitas. Interessante é o fato da bandeira (partido da Ética e da Moral) que sustentou a agremiação durante os anos de oposição ser rasgada diariamente, com a maior desfaçatez, justamente pela cúpula. Houve um momento, depois do mensalão, em que eu acreditei que a execração pública compeliria a sigla a tomar vergonha na cara e nunca mais voltar a delinquir. Botei fé que o escândalo mexeria nos brios dessa gente e faria com que retornasse àqueles princípios que tanto encantavam. Infelizmente, os prognósticos não se confirmaram. O substituto de Delúbio Soares na tesouraria do partido revelou-se com uma esperteza exponencial. Tenho pena das mulheres que cercavam o barbudo tesoureiro. Há uma perversão palhariana no sujeito que além de incluir a esposa e a filha mete a cunhada nesse sujo jogo de pilantragens. Acho até que deveria haver uma variante da Lei Maria Penha que penalizasse o marido canalha por envolver as cunhadas nessas safadezas. Falo nessa escória e recordo que a moralidade política ficou mais pobre com a morte do médico José Medeiros. Com um invejável currículo que incluía vários mandatos de deputado, ocupação de secretarias da Saúde e Educação, Professor Emérito da Ufal e Vice-reitoria, Medeiros deixou sua marca de dignidade. Em 2001, vagava vergastado pela orfandade de dois filhos. Foi quando recebi insistentes telefonemas do Medeiros (com quem eu não tinha aproximação) para comparecer à reunião de refundação da Sobrames (Soc. Bras. De Médicos Escritores). Meio a contragosto associei-me e passaria a frequentar um ambiente literário de altíssimo nível. Tomei gosto pela coisa e, com o seu apoio, tornei-me membro da AAM e AAL. Cronista desta Gazeta, membro atuante da Academia Alagoana de Letras (AAL), da Academia Alagoana de Medicina (AAM) e de vários outros grêmios do gênero, a orfandade de Medeiros será particularmente cruel na Sobrames, onde era figura de destaque nacional. Alagoas está enlutada pela morte de um dos seus mais ilustres filhos.