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Opinião

A matem�tica do preconceito

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Existe relação entre a legalização do aborto e a diminuição da criminalidade? Se os houver, o que vemos fazer com essa informação? Recentemente um professor universitário capixaba afirmou que entre um médico negro e um branco, preferia ser atendido pelo último. Foi dizimado pela opinião pública, será processado por racismo. A lógica do professor era a seguinte: se existem cotas que facilitam a entrada de negros nos cursos de medicina, estatisticamente, no futuro, os médicos negros serão, em média, menos preparados. Há alguns anos, o reitor da universidade de Harvard alegou que parecia haver uma predisposição para a matemática nos homens, tendo em vista a maior quantidade e melhor desempenhos deles nos cursos de exatas. O reitor foi obrigado a renunciar. Defendo o reitor. Apesar da suspeita, ele não sugeriu que os meninos fossem aconselhados a ser engenheiros e as meninas a serem psicólogas, e não o fez por dois motivos. Primeiro porque a associação pode ser falsa, pode ser motivada apenas por questões históricas e sociais. Segundo e mais importante, mesmo que haja uma diferença real, a liberdade individual está acima disso. Se alguém com uma dificuldade natural para exercer qualquer atividade, um jogador de basquete baixinho, por exemplo, quiser faze-lo, a civilização ocidental se construiu em torno dessa liberdade. É por isso que o discurso do professor brasileiro está totalmente errado. Dizer que as cotas podem no futuro levar a diferença entres os formados é uma coisa, dizer que isso deva ser usado para preferir brancos é outra coisa tolamente diferente. De qualquer forma, discordo do professor, um aluno que entrou na última vaga pode se formar como primeiro da turma, só depende do seu esforço. Mesmo se a diferença for um dia provada estatisticamente, isso nada significa. Se um branco de boa aparência consegue vender mais, isso não autoriza ninguém a desaconselhar a contratação de negros nas lojas dos shoppings. Pode não ser possível extinguir a ação racista individual, mas ao menos existe uma lei contra o discurso. Não é aceitável a adoção do aborto como política de segurança pública. Menos aceitável ainda, seria, esconder a correlação, se as contas a confirmassem. Não devemos temer os números, devemos sim é aprender a ser responsáveis com o que fazemos com eles.

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